segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sobre os rótulos

Os rótulos são tão pobres,
Não têm profundidade,
Submersos no artífice das superfícies terrenas.

Os rótulos, não me pertencem,
Pertencem à língua de quem lançou,
De quem saiu e procura abrigo nas personalidades.

Mas não encontrou.

É como uma tatuagem voando,
Buscando um corpo para se deitar, revestir,
E massacrar.

Os rótulos são do obsessor.
Procuram noite e dia fiar tua paz,
Sedento e sem leito. Sem amor.

Não te rendas!

Porque os rótulos são para os presos, escravos,
Para os que têm medo,
E querem aprisionar outros.

São enquadrantes,
Enquadrados e quadrados,
Perfis humanos, formatados, desolados.

São para aqueles que não transcendem,
Não entendem os sentidos fulgurantes das palavras,
Que estão sempre além.

Os rótulos não têm cor.
Porque são limitados.
Alienação e prisão. São desalmados.

Os rótulos também são pessoas.
E em seu instrumento mais eficaz,
Os rótulos são as línguas, as mínguas.

As línguas da mentira,
Discursos pré-fabricados.
Aprisionados, são facetados.

E nesse enredo todo,
Eu fico com a liberdade dos espíritos inquietos.
Proativos e nexos...

E mesmo quando sem nexos aparentes,
Tem nexo, pra expandir.
Dissipar.

E que na minha estranheza de ser,
Sinto o bem, sou mais humana
E não bestificada.

É daquela liberdade que nada te pega,
Liberdade e movimento...
Saravá!

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