quinta-feira, 16 de junho de 2011

Eclipsicológico

Aroma de morango e H2O misturados na face, exalavam
Abertos, os olhos lembravam das horas que estavam em sonhos...
Um dia, começar. Dia de eclipse no céu,
Ai que céu! Azul imenso ar
Ai que brisa! Ai que ar!
Em vestido vermelho de flores,
Ela vinha arribiar

Em minha rosa beijei sua face, como bom dia
Em minha cadela, mas olha pra ela!
Se arremexendo toda só pra eu acariciar
E as panelas? Me olhavam sorrindo com seus notáveis cílios inquietos:
- Me escolhe! Me escolhe!, elas insistiam
Escolhi a de dois lados, para segurar, média.
Sorridente, a lambuzei de óleo,
Refoguei a cebola, alho, e pensava:

- A solidão é uma sensação.
Quem tem medo de estar só?
Ou a falsa idéia de felicidade reside em estar rodeada de pessoas?
Deixei pra lá.
Fiquei com a sensação.

Senti dor.
Uma coisa profunda no interior do centro da barriga.
Cheguei a buscar razões para isso,
Pensei em tomar um chá,
Já havia comido pão e bebido leite:
Ah, vai misturar!, pensei.
Deixei pra lá.
Fiquei com a sensação.

Almocei feijão, salada de trigo, arroz e carne de panela.
Bebi água,
Calcei uma bota...
As botas me deixam firmes no chão,
E andei nas ruas,
Onde tem vida, onde tem cor...
E no Malhado urbano,
As crianças, pequeninas meninas,
Menininhas, passei por elas
Um homem, um caminhão
Sacas de cacau, prosperidade,
Sorriam.
E estudantes, deviam ser,
Estavam ali,
Um no passeio, outro na rua
Trocando as prosas da noite passada.

Certo o tempo correndo, incerto
As cinco iam chegando perto,
E eu só pensava:
Ói ela! A Lua vinha chegar,
Mas eu não via...
E a sombra da Terra nela,
No reflexo, camará!,
Na Lua cheia, a foto revelar...

Subi o morro, Outeiro de São Sebastião,
E defronte da Capela de Nossa Senhora de Lourdes,
Em Ilhéus,
Eu vi o horizonte do firmamento,
As estrelas lá no céu.

Não bastasse uma nuvem fosca
Esparsa esparramada e esfumaçada,
Diluía, o céu azul,
O fosco rodapé de nuvem,
Navegando horizonte mar
Não falavam e não diziam,
Se a Lua ia nascer sem véu.
Alí ou acolá,
Naquele marco ou n'outro lugar...

Se por trás daquele morro, ela viesse nascer,
Tão bonito, é verdinho,
Ô meu morro de Pernambuco,
E pensar que dali Mila também esperava
No meu morro menininho...

Para Marotito eu contava:
Ó! Olhava ela surgindo tímida,
Já em cima das nuvens esparsas
Ela nascia se decobrindo...

E lá no céu uma tinta vermelha,
Esfumaçada bem na Lua,
Mancha escura na face crua,
Lua cheia se abrindo.

15 de junho, dia e mês,
Que dia seria, mais uma vez?
Não sei, porque só quero seguir,
Até hoje sinto tudo o que se fez.

As dores do mundo na face dura,
Na face fria,
Despida toda a Lua,
A sombra da Terra ela exibia.
Sombria a sombra que se fazia nela,
Mesmo assim,
Eu sorria.

E Marotito via, como é difícil apreender
Fotografia revelada,
Da Terra toda, que morada!
Difícil o foco, e nitidez,
Do outeiro de São Sebastião,
Esse santo que venceu a escravidão,
A gente podia ver,
Que o sentimento era mudo,
Mas algo ali aconteceu e nos veio:

O astro começou a sorrir,
A sombra foi indo, e se desfez,
As dores do mundo foram embora,
Tudo novo, comece outra vez!
E nessa película, da viva, vida,
Vivemos mais,
Quando na fotografia, sentia,
Tudo nova vez.

A dor no interior do centro da barriga passou.

Segurei, Marotito apertou,
Temos foco e nitidez!
A foto da Lua na rua
Sim, tinha sombra refletida
A luz da Lua ria,
E então tudo se alumia,
Quando mesmo obscura,
A Lua, ou em qualquer outra coisa qualquer,
Há sempre um sorriso de alegria,
Em todo amanhecer, de nós.
Bom dia!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sentimento do mundo

Nunca cheguei a acreditar que as dores do mundo coubessem em minha poesia
Por isso nunca quis versar sobre isso.
Não quis pensar,
Que a poesia poderia, serviria para falar de coisas maus e ruins
Dessa fadiga que outrora me entala na garganta,
Do soluço social, do arroto descabido,
Da azia indiscreta, das dores de cabeça,
Da cabeça de dores doídas: o mundo
Na verdade sempre fugi, poupei as palavras
Ó palavras!

O mundo: ingratidão, ignorância.
Estúpidas granadas no meio do caminho,
Ao trajeto desviado,
Desviado,
Desviado,
Desviado da via do amor,
Amor de seres humanos.

Minha poesia não cabe no mundo.
Nem o mundo cabe em minha poesia,
Porque estou entre,
O que se vive e assiste,
Como um filme em película,
Vai passando em nossa mente.

Inicio pela tela doente,
Ludibriosa, cheia de espetáculo...
A manipular insolentes
Faltam palavras pra isso:

Não processo o que vejo na televisão
Por ora se descobriu, estrondosa descoberta
EUREKA!
A têve se despiu...
Que grande coisa, o SEXO!
Uau! Quanta inovação!
Coisa tão velha, arcaica,
História de humanidade,
Oh! Que bobagem!

Não. Mas não é não!
Há quem goste de deturpar
O instinto selvagem,
Falsear a copulação.
D'onde nasce, reproduz a vida,

Agora é divulgação.

Publicidade, produto caro,



É na telinha,
No jornal, no mural
Out door, cinema, carnaval
Camisinha, veste o pintinho
Criancinhas estão com frio!
Vai pra escola estudar,
Kit gay, homofobia,
Seja travesti, minha coleguinha,
Te dou uma camisinha!

Se furou, não faz mal
No dia seguinte uma pílula,
Kit bomba, hormonio do mal
Se engravidou, não tem problema
Faz aborto, que legal!
Pra tudo uma saída
Dessa merda de animal



Mas não, ela (a televisão)
Está vendendo para menininhas e menininhos
O seu produto de merda
Banalizou-se a relação entre o homem e a mulher,
O envolvimento amoroso, o casulo,
O cravo e a rosa, Oh! Tão lindos,
Viraram um monte de melecas
Se lambuzando como abutres insandecidos:
A novela!

Sexo, só!
Só, sexo!
Se
Xo
Séquiso...

E coitados dos abutres, tão nobres!

(em continuação, termino depois...)

sábado, 4 de junho de 2011

Prosa

Invento em você uma forma que se encaixa com a minha. Idealizo e sigo por dentro de ti um carinho, que me faz materializadamente sentir seguro. Mesmo que eu esteja seguro. E crio o que não vejo, uma sensação momentânea ilusória que mesmo assim uso pra poder sentir que até na ilusão me faço consciente. Consciente entre ti e mim, nesse lapso por ora agressivo maciço, por ora irresistível. Eu sei que essa tela que pinto resulta de uma escolha que faço, e te faço servir pra mim. Você é o abismo entre o real e o metafísico, tão real mas tão inapreensível. Minha fantasia tão cruel, que martiriza e acaricia esse ostracismo.
Me desfaço mas faço em mim valer tudo o que me é vivo, latente e cheio de viço. É isso que me faz prosseguir, sem temer que a ilusão se reduza a pó e se desmanche toda em minha frente. Eu acho é bom, porque sei que a verdadeira percepção se aproxima do que posso entender por luz, força e calor. Adeus minha dor!
Sinto a vibração do Sol chegar aqui, entrando flamejante pela janela e apaziguando qualquer angústia que por ora pode se querer residir. Algo sublime que me chega e acalma todas as paredes, minhas testemunhas.
E eu sei, o caminho é de paz, dentro dos caminhos chorosos do mundo. Preservo em Deus minha integridade e sigo certo, mesmo quando errado, a jornada da vida ensina e mostra por onde e como o reino se comunica e se alia em nossos corações tão humanos, às vezes machucados.
Já disse, adeus dor!
Sejam bens vindos, o amor, a paz e a redenção!
Graça de purificação!
Obrigada meu Pai,
Obrigada Senhor!

Banhista em alto mar

Quase completo o círculo dos olhos seus
A fitar retamente este semblante onírico
Semi-circunferência aberta, fechada,
Olhos de piscininha
Que mergulho sem me molhar

Verdes verdes olhos
Olhos verdes, verdes olhos
Olhos de piscininha, óleos
Impermeável subtraio,
O rio com água do mar

Por ora raso,
Me invades com golpes profundos
Mas nem fundos chegam
As suas flechas de banhista
Que deleita-se sobre margens calmas
Satisfaz-se com marolas e rosas
Basta, já basta acalento ar

E que embora arredios
Às vezes seus olhos frios
Sentem mas não conscentem
O que meus despretensiosos olhos
Querem te falar

Vamos, democratize
Socialize paz
Dê-me o direito do espaço
Espaço e meio
Que exerço
Da poesia singular.

Não és tu recitador?
Que por palavras expressa
Idéias robustas
Idéias tão sérias? Tão sérias.

Vamos, vamos mais
Coloque pra fora o sentimento
O que seus olhos mostram
Desse passeio em alto mar...

Mas também não me censure,
Minha poesia quer falar
Que marinheiro tem leme
E gosta de navegar.