Aroma de morango e H2O misturados na face, exalavam
Abertos, os olhos lembravam das horas que estavam em sonhos...
Um dia, começar. Dia de eclipse no céu,
Ai que céu! Azul imenso arAi que brisa! Ai que ar!
Em vestido vermelho de flores,
Ela vinha arribiar
Em minha rosa beijei sua face, como bom dia
Em minha cadela, mas olha pra ela!
Se arremexendo toda só pra eu acariciar
E as panelas? Me olhavam sorrindo com seus notáveis cílios inquietos:
- Me escolhe! Me escolhe!, elas insistiam
Escolhi a de dois lados, para segurar, média.
Sorridente, a lambuzei de óleo,
Refoguei a cebola, alho, e pensava:
- A solidão é uma sensação.
Quem tem medo de estar só?
Ou a falsa idéia de felicidade reside em estar rodeada de pessoas?
Deixei pra lá.
Fiquei com a sensação.
Senti dor.
Uma coisa profunda no interior do centro da barriga.
Cheguei a buscar razões para isso,
Pensei em tomar um chá,
Já havia comido pão e bebido leite:
Ah, vai misturar!, pensei.
Deixei pra lá.
Fiquei com a sensação.
Almocei feijão, salada de trigo, arroz e carne de panela.
Bebi água,
Calcei uma bota...
As botas me deixam firmes no chão,
E andei nas ruas,
Onde tem vida, onde tem cor...
E no Malhado urbano,
As crianças, pequeninas meninas,
Menininhas, passei por elas
Um homem, um caminhão
Sacas de cacau, prosperidade,
Sorriam.
E estudantes, deviam ser,
Estavam ali,
Um no passeio, outro na rua
Trocando as prosas da noite passada.
Certo o tempo correndo, incerto
As cinco iam chegando perto,
E eu só pensava:
Ói ela! A Lua vinha chegar,
Mas eu não via...
E a sombra da Terra nela,
No reflexo, camará!,
Na Lua cheia, a foto revelar...
Subi o morro, Outeiro de São Sebastião,
E defronte da Capela de Nossa Senhora de Lourdes,
Em Ilhéus,
Eu vi o horizonte do firmamento,
As estrelas lá no céu.
Não bastasse uma nuvem fosca
Esparsa esparramada e esfumaçada,
Diluía, o céu azul,
O fosco rodapé de nuvem,
Navegando horizonte mar
Não falavam e não diziam,
Se a Lua ia nascer sem véu.
Alí ou acolá,
Naquele marco ou n'outro lugar...
Se por trás daquele morro, ela viesse nascer,
Tão bonito, é verdinho,
Ô meu morro de Pernambuco,
E pensar que dali Mila também esperava
No meu morro menininho...
Para Marotito eu contava:
Ó! Olhava ela surgindo tímida,
Já em cima das nuvens esparsas
Ela nascia se decobrindo...
E lá no céu uma tinta vermelha,
Esfumaçada bem na Lua,
Mancha escura na face crua,
Lua cheia se abrindo.
15 de junho, dia e mês,
Que dia seria, mais uma vez?
Não sei, porque só quero seguir,
Até hoje sinto tudo o que se fez.
As dores do mundo na face dura,
Na face fria,
Despida toda a Lua,
A sombra da Terra ela exibia.
Sombria a sombra que se fazia nela,
Mesmo assim,
Eu sorria.
E Marotito via, como é difícil apreender
Fotografia revelada,
Da Terra toda, que morada!
Difícil o foco, e nitidez,
Do outeiro de São Sebastião,
Esse santo que venceu a escravidão,
A gente podia ver,
Que o sentimento era mudo,
Mas algo ali aconteceu e nos veio:
O astro começou a sorrir,
A sombra foi indo, e se desfez,
As dores do mundo foram embora,
Tudo novo, comece outra vez!
E nessa película, da viva, vida,
Vivemos mais,
Quando na fotografia, sentia,
Tudo nova vez.
A dor no interior do centro da barriga passou.
Segurei, Marotito apertou,
Temos foco e nitidez!
A foto da Lua na rua
Sim, tinha sombra refletida
A luz da Lua ria,
E então tudo se alumia,
Quando mesmo obscura,
A Lua, ou em qualquer outra coisa qualquer,
Há sempre um sorriso de alegria,
Em todo amanhecer, de nós.
Bom dia!