sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A amizade

Ela continuará...

Porque amizade não se faz em distância,

Não se faz em país,

Se faz no coração,

A felicidade do amigo, me faz feliz!

Sou feliz por você!

Ponteiros atropelados

Como começar uma carta sem atropelos?

Como começar do início, sem ponteiros?
O relógio está quebrado, ou disparou... ? Ficou louco de repente, com o tiro que você atirou...
O relógio cedeu ao tempo,
Como grãos que vão escorrendo pelo mínimo orifício, contando, o tempo
Sem ponteiros,
Sem atropelos,
Por inteiro, estou a escrever...
Perguntas, “mas porque?”
Digo-lhe que não é para ter
O desprazer do desgosto
De não ter dito à você
O que tenho pra dizer
E se a vida pode ser vivida, é porque o hoje existe
O agora persiste
Não vou deixar pra depois.
O tempo acabou! Jogou-nos pra fora dele
E é mesmo por estar já de fora, que vou apreendê-lo
E trazê-lo pra dentro de você
Pois se por ventura não me deixaste a oportunidade
De pessoalmente falar-lhe,
Não contenho-me com o desgostoso gosto amargo
Da saliva ansiosa que não saiu a percorrer
Dessas minhas inquietas cordas de voz
Não se preocupe, não serei atroz
Eu só quero lhe dizer...

Ao Tupiniquim

Diz que é essência em si, sem termo
E porque logo em seguida, de início, cede ao pensamento?
E depois, secundariamente e no final, sentido e sentimento?
Se por si só, imaterial, estabelece-se
Não precisamos da mente simuladora e conflitante,
Que disfarça a sutil consciência do indivíduo.
Você é puro, sem termo mesmo
Não precisa do “nada”
Nem saber se veio antes ou no fim
O que preexiste é consciência
Não eu, audaciosa humilde como me fantasia
Eu também tenho ego, não disfarço
Mas ainda estou longe da onipresença
Embora tenha olhos, que sim, de acordo com você,
Absorve o imaterial sentimento do rosto que vira,
E ainda que não concretamente virado, e de olho nos olhos
Sim, vi em primeira via aquele que se viu defronte, nunca antes
Coisa que o virtual não permite.
E ainda que encarado, para se referenciar naquele instante
Preferiu seguir mesmo em silêncio,
Não reagiu ao dito sentimento que começa,
Com argumento de mania e auto-proteção...
Não me destes a oportunidade moço afoito,
E já vens com o peito esmorecido de cansaço,
Eu estava ali querendo arrancar seu sentimento mudo,
Que ainda em diferentes identidades simulacras,
Eu ainda via um ser desnudo,
Com seu rumo, cozinhando num infinito natural...
Mas que para isso,
Não precisava de carapaça desconfiada,
Eu era só um braço estendido, que não queria assustar,
Embora tenhas cedido ao ardor que segue no peito.
Me livrei do ardor que seguia no meu peito,
Por isso fui falar com você,
Caso contrário, nunca iria descobrir
O que o propósito da ferramenta extensora e virtual,
Que pode “assustar as pessoas”,
Serviria nessa realidade imaterial,
E sim, metafísica sempre.
E para saber mesmo que,
Não são as ferramentas que assustam,
Mas são as pessoas que ficam assustadas,
Com o nada ou o vazio,
Que sobrevoa fluido no corporal.
Por favor, não me peça desculpas pela intervenção virtual
Já explicastes que não sabe que vai, nem pra onde,
Eu acatei a comunicação que veio,
Só não sabia que existia mais vida nesse espaço:
Tecnológico, louco, frenético,
Imaterial, virtual, sem quando e nem onde
Apenas alguns milésimos sensoriais
Para saber que o homem,
Ainda prefere as diferenças e conflitantes,
Simulacros, simulações, e não o olho no olho,
Apenas uma construção virtual...
E, que, no concreto cede ao rosto virado e silencioso,
Enquanto poderia emanar o ser em tato, concreto.
O ser e o ser, sem artefato frenético.
Com delongas demais,
Cedo esses próximos versos as suas aferições sobre mim,
Diz que fica bem, sabendo dessa que sente, pensa,
“Mesmo que pensando pensar por outros”...
O que eu digo é para retirar-se de seu pedestal,
Eu não te coloquei aí,
Refere-se ao espelho?
Não te presenteei. Mas insisto nele, afirmo,
Você mesmo colocou-se aí, porque está sob ele,
Antes mesmo de conhecer-me.
Não combina o espelho, nem o pedestal,
Logo com esse que se diz cansado de abrir o peito,
Pouco tão com o dizer de que o nada veio antes do si,
Porque o sutil prefere e declara-se o ser petulante?
Ah, sim... Já me ia esquecendo,
Tentei não fazer rimas,
Espero que agora agrade à vossa majestade, que rima bem sem perceber.
Um beijo à Tupiniquim,
Ele que aceite pelo coração,
A poesia que esta escreve com o sentir.

Eu, Anastácia - a escrava que usava focinheira.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Des-conheço

O desconhecido veio primeiro até a mim...
Se veio até a mim,
Deveria saber ele porque estava ali,
No imaterial... Cutucando-me.
E por ser um desconhecido virtual,
É que fui "forçosamente" no concreto,
Alguém deveria romper a barreira digital,
E foi quando o vi,
E quando o vi,
Instiguei-o sobre: "então o contato está estabelecido?"

Mas não adiantou
O rapaz primeiro cutucou,
No palpável virou-se o rosto
Com um ar desgostoso,
Até parecia bom moço,
Mas agia com revelia,
Convencido de si...

A indiferença poderia ceder à complacência
Mas é nítido que não humilde,
Resiste, e persiste rebater

Reveste o discurso de elogio,
Mas no fim cede ao irônico "pra si"
Não obstante, é inconstante,
Simpático ao julgamento,
Até onde vai seu belo espelho?
As pálpebras, abrindo, resvalando...?

A vida simples se confunde em Banho Maria
Ele cozinha uma vida tranqüila
Mas o peito ressoa palavras infames
Não resista, meu caro
A simplicidade existe...
Está ao seu alcance

E quanto à mim, "grande sábio"
Deixo a porta entreaberta
Quando quiser mesmo a descoberta
De um espírito de poeta,
Estarei sorrindo,
Pois sorrindo,
Responderia a ti ao mínimo "tudo bem?" que não me fez

O desconhecido veio até a mim
Deveria saber ele porque fez assim...
Eu não te quero muito mal,
Poderia ser um braço estendido,
Mas você enxergou um desatino,
De um ser que "assustou" no final...

Os olhos vêem com o coração.

inté! :P

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Baluarte

Estive só
Só que não me via
Não me sabia
Não me era, me erra

Estive triste
Triste que não sentia
Não entristecia
Não olhava baixo, era reto

Estive cercado
Cercado que nem de sítio
Não me cabia
Não cerceava, não estava no cerco

E quando estive por morrer,
Quando a morte na minha porta bateu,
Um anjo apareceu,
E me fez tudo ver...

Caiu a solidão,
Caiu a tristeza,
Caiu o cerco no sertão..
Ah, o ser tão longe
Tão longe do mar...
É o sertão

Estava seco,
Mas seco era pra estar...
E tudo caiu,
E eu levantei,
E continuei a andar...

Fui pro mar me molhar
Me lavar da dor
A dor não pode com a flor
Senão pode murchar

Quando no mar cheguei,
A vida se espreguiçou bonita,
Me fez clarear as vistas,
Meu baluarte florecer...

Porque a semente que em mim plantou,
Desde nova germinou,
Mas só agora o fruto veio amadurecer,
Obrigada, Senhor!

Dois grãos


Como são claros os grãos,
Tão pequeninos meninos
Que saltam pelo vento,
Dançando aos pés e ao leo...

Sem pudor... e com poder
Máscaras, um tremor!
Pode o juízo se perder?

Pode esse grão de poder nominar o amor?
Ou já se perdeu, querendo nominar o amor?

Ah... O mar já cresceu,
Invadiu,
É que cometemos loucuras,
Mas no final dá tudo certo.

Enquanto o mar viver para acalmar o sopro do vento,
Que faz voar o grão,
Está tudo perfeito!
Pois as ondas guardam segredos,
Que vem dos ventos orientar a direção

Deus, o homem mereceu?
Mereceu, mas não faz por merecer...
Perecer os males de tanto poder,
Perder!

Mas já aprendi a lição:

As contingências mundanas são desimportantes demais para ofuscar o brilho do amor.
-Vida, me faz flor?

Anna Karenina e Marina Oliveira. Itacaré: 15/01/2009

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Claras & Vistosas Vistas

Enxerguei formigas na multidão,
Pulando ao leo,
Sem que o pulo chegasse ao céu
Luminosas estrelas lá de cima estavam brilhando

Ah, Deus,
Se Tu me amas como uma rosa,
Que minha morte seja em meio às vossas floras
Para ganhar a leveza do céu

Sinto o mundo,
Sinto a mente,
Medíocre,
Ludibriosa!, respectivamente

Querem que eu me esconda,
E de jeito latente...
Mas como?

Eu não sou mundo,
Eu não sou mente,
Sou eu, o espírito,
Vistas claras do chão rastejante,
De mentirosas serpentes...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Bem de Paz

Muito me agracia a água azul verdejante,
Que feito em bainha, a onda simetricamente se esparrama,
E espalha-se lambendo a areia de mínimos grãos...

Grãos... Grãos que nos faz ser
Uma reunião de grãos,
Ajuntados, colorados num único espaço,
Pela missão do bem de Paz,
Paz de amor, não de dor.

A Luz jaz, a Luz...
Forte dela, que forte Sou,
Um ser movido pela Luz, pelo Amor
Essa luz? É claro que é Jesus!

29/12/2009