terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Baluarte

Estive só
Só que não me via
Não me sabia
Não me era, me erra

Estive triste
Triste que não sentia
Não entristecia
Não olhava baixo, era reto

Estive cercado
Cercado que nem de sítio
Não me cabia
Não cerceava, não estava no cerco

E quando estive por morrer,
Quando a morte na minha porta bateu,
Um anjo apareceu,
E me fez tudo ver...

Caiu a solidão,
Caiu a tristeza,
Caiu o cerco no sertão..
Ah, o ser tão longe
Tão longe do mar...
É o sertão

Estava seco,
Mas seco era pra estar...
E tudo caiu,
E eu levantei,
E continuei a andar...

Fui pro mar me molhar
Me lavar da dor
A dor não pode com a flor
Senão pode murchar

Quando no mar cheguei,
A vida se espreguiçou bonita,
Me fez clarear as vistas,
Meu baluarte florecer...

Porque a semente que em mim plantou,
Desde nova germinou,
Mas só agora o fruto veio amadurecer,
Obrigada, Senhor!

Um comentário:

Germano Lopes disse...

Lindo!!! Lindo de respirar fundo depois de ler! Qual foi a inspiração?