Corre o passo a corrida
Jogam as pernas a partida
O coração bate acelerado
Não perde o passo, nem compasso
No cair da noite as vista logo se alumia
Ao lado, forte luz se erguia
Numa avenida movimentada
As pernas me jogam acelerada
Aos ouvidos, frenética música ritmada
Flauta, tambô, triângulo, viola,
Era um som de casca, cascalho,
Cascalhado, cascabulho
Inspira fundo, vai pulmão
Preenche o vazio,
Respiração!
Num tino compassado,
Num peita bombeia,
Um translado de energia,
Pra não ficar frio,
Nem se perder da romaria
Não fica sozinho,
Não se perde e nem agonia
Ao longe ela se enchia
No sair da noite,
Emergia
A Lua grande
Para mim transmitia
Nao ficamos vazios
Somos cheios que nem ela
Vibrantes, vibração.
Banho de Lua,
Banho de Sol.
Oh minha Lua amada,
Os prodígios de Deus,
Tu és a iluminar.
Coração repleto.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Alqueire
Distribuo
poesias pela rua
No banco
sentado da Praça
O verbo
delira defronte o Teatro Municipal
E o
cotidiano se dissipa na paisagem
Sonoridades
saem das cordas violonísticas,
São
dedilhados nas batidas que o músico faz
Aqui ao meu
lado, é o Vesúvio
A vez do uso
de usar nosso patrimônio
Da cidade
que era capitania de São Jorge dos Ilhéos?
Ou ainda capitania?
Patrimônio
que é moda
Tema de
novela, Gabriela
Da TV BOBO
que pensa abraçar o Globo
E exportar
nas telas
O que pensa
o que é o todo:
Irradia para
todos telespectadores que a assistem
Suas
caricaturas canhestras
Seus
estereótipos construídos
E
massificado falido na tela!
Mas olha pra
ela! A Gabriela de Ilhéus!
Prostituíram
minha cidade
Revoltaram
na desconstrução construída
Uma ira de
vaidades sociais
Dos que criticavam
a dita burguesia,
Seus padrões
morais,
E fizeram
outros padrões morais em cima deles,
Revelando-se
uma nova burguesia.
Que é
antiga, como os burgueses que um dia criticou.
E que se
alastrou,
Com
sobrenome amaciado,
Estereotipou
o amor.
Mas oh!
Seria tudo
tão desinteressando?
Um discurso
decorado,
Por causa da
sofreguidão alheia.
E que se
justifique em muito libido,
Enlambuzando-se
os dedos,
Das
voluptuosas mulheres baianas.
A preço de
quem?
Da cultura
de uma terra, e de um povo,
Que hoje
herda,
Homens
velhos, safados e torpes,
Tarados:
Prostituindo
nossa terra.
Seria tudo
um legado?
Diante de
tanta gente?
Que canta,
dança, interpreta e parte?
Faz sua arte
cultura sem desamor?
Está
estampado!
Está na
cara!
É o tempo
presente,
São as
gentes,
São as artes
deste povo que vigorou!
Mas oh!
Minha
cidadela está na moda...
Tanta gente
carente na rua
E tanta
gente desce do navio,
Que vem
andando sorridente,
Com suas câmeras
nas mãos,
À procura do
senil.
É um
mendigo,
Um cão
ladrando na rua,
Um homem
maltrapilha falando sozinho...
Que ao
celular finge falar,
Coloca a mão
na orelha
Segurando a
tampa de um controle de TV.
Ah, é um
controle.
Vamos,
sirva-me do melhor,
Quero as mentiras de uma época,
Uma ilusão te-le-vi-si-o-na-da,
Me dê o
controle da televisão,
Me dê uma
ilusão,
Um copo de
cólera.
Só enxerga o
que os olhos querem ver
Ainda que no
exterior
A realidade
se ES-TRE-ME-LE-QUE
De tanto ser
desassistida,
E fingida,
numa tela doente.
Por quem só
assiste e não vê
Quem diz que
ama e não crê...
Alqueire.
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