domingo, 30 de março de 2008

Na oportunidade de ouvidos escutarem-me, aproveitei a presença de minha mãe para dialogar com meus pensamentos. As paredes dessa vez ficariam para a próxima, e o silêncio solitário me faria companhia na próxima temporada de devaneios. Mas, neste momento, minha mãe seria a coadjuvante dos meus inquietos questinamentos.
A cama estava uma bagunça. Talvez fosse mesmo hora de pôr as coisas nos seus devidos lugares. A fumaça me incomodava, é verdade. Vinda da janela, me fazia espirrar. Mas nada, nem o cigarro, tiraria a minha simples alegria de colocar para uma mente pensante o que passeava na minha, inconstante. E eu pensando estive, em muitas coisas. Talvez não seguissem uma ordem lógica, tão pouco coesa. Minhas blusas usadas, talvez minha mãe achasse que eu não sou certa. Mas ela também não é! Então, não tinha problemas. E mesmo que tivesse, que achasse que sou errada!
A blusa estava desbotada. O verde musgo ficou feio. E mesmo que tenha menos de um ano de uso, achei que uma tintura resolvesse, e minha blusa estaria nova novamente!
- Você acha que se eu tinturar essa blusa, vai ficar bom?
- Que blusa?
- Essa!
- Porque você vai tinturar?
- Está desbotada. São as belas lavagens de Dona Guiomá.
- Cadê?
- Aqui ó?
- Acho que não.
Ela me olhava da janela com seu cigarro, talvez quisesse entender porque tinturar uma simples blusa. E o que eu pensei, foi que era melhor deixar a blusa como estava. Ia desbotar a cada lavagem, mas eu teria ceretza de que poderia usá-la novamente do que arriscar tinturar e perder a tal blusa.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Outra poesia

o repúdio inadiável
o grito não sufocado
a lágrima escorrida
a risada desprendida

sou o vento em furacão
velocidade sem distância
lençóis em vendaval
açúcar, cravo e sal

e não me fale em melancolia
meus versos não pactuam ela
só se escrevem sozinhos
vão dependendo do meu dia

fantasia é coisa pra quem pode
meus pés agradecem o chão
pisam fortes pedras e vãos
orientam direção

poesia é para quem é
agora, ajuiza emoção
rimas, versos, estrofes
frases foragidas da prisão

[AK]