quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O descolorido jeito da cor

Às vezes eu queria ser tão branca, mas tão branca,
que o racismo que por si é escuro não penetrasse em minh'alma branca,

Às vezes eu queria ser tão negra, mas tão negra,
que a limpidez que diz ter a brancura não penetrasse em minh'alma negra,

Às vezes...
Eu queria ser tão humana, que a desumanidade não se refletisse na medíocre cor de pele.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Meu pai,

Vou aproveitar o dia de hoje para dizer algumas coisas que estavam guardadas no meu coração. E agora, tentarei transpô-las para este papel tão simples. Eu já vinha esperando por esse dia por certo tempo, período que amadureci a idéia de escrever tal carta. Enfim...
"Temos caminhado em direções opostas, é verdade, mas perseveremos". Faço destas suas palavras- carta que me mandou no natal de 1994 - as minhas. Dentro de minhas limitações e àquelas impostas ao curso da vida tento (mesmo que para você possa parecer irrisório) perseverar. Confesso ter pensado em desistir frente à resistência que encontrei diante dessa "missão" que me ative em cumprir. Mas me recompus aos meus sentimentos verdadeiros ao ponto de não me envolver pelas trevas da fraqueza.
Por isso, estou aqui para dizer que gostaria de levantar uma bandeira de paz entre nós, para que umas relação de pai e filha possa se fazer real de modo saudável e positivo. Sei que para isso, não depende somente da minha vontade e querer fazer acontecer, mas no que depender farei o melhor para nós, dentro do que for "aceitável", ou seja, até onde eu tiver espaço e me sentir aceita. Sei também, se o for do seu desejo, que isso não acontecerá da noite para o dia. Um tempo vai levar para que as coisas tomem seus devidos lugares, tanto você quanto eu, possamos refletir a nossa conduta do passado para amadurecer a conduta do amanhã.
Confesso que não sei como você vai encarar essa carta. Na realidade não sei se você está preparado para absorver de coração o que estou escrevendo. Tenho muito medo de sair machucada disso tudo, mas eu prefiro correr esse risco a conviver com a dúvida cruel de não saber como seria se eu tivesse feito. Eu não suportaria, e também não dava para esperar mais.
Eu também gostaria que você me conhecesse, como sou. Às vezes tenho a sensação que você pouco sabe de mim, justamente pela distância que impusemos sobre nós. Não sei se te preocupa me conhecer... Espero que sim. Eu queria poder participar e me fazer presente na sua vida, te conhecer, aprender. Mas para isso, eu preciso ser bem-vinda, desejada. Não compete a mim sair desbravando caminhos, antes as rotas de acesso precisam ser sinalizadas!
Fico muito triste quando você ironiza minhas ações - seja o que eu digo, ou o que faço; quando você se utiliza do sarcasmo para prevalecer num diálogo. Isso só me faz me afastar de você e com que cada dia mais eu enxergue meu pai como alguém que não gosta de mim. Sem contar que você me julga hipócrita, esquecendo que a ironia é uma forma perversa de hipocrisia.
Meu pai, já tentei negar nosso vínculo, meus sentimentos, mas me deparei com uma porta. É uma porta camaleão. Que se nós quisermos pode se tornar um muro. Mas se o desejo verdadeiro da perseverança - aquele que você fez referência na carta de natal - for sincero pode se tornar uma porta. A porta que vai abrir o caminho para o encontro de nós dois. Isso só vai acontecer se dermos vazão ao amor que existe (eu sei) em nós, onde o orgulho, a arrogância e a vaidade não terão mais vez na nossa caminhada. Eu sei que o que eu estou dizendo parece um conto de fadas, mas eu não faria isso se achasse que fosse impossível. E eu sei que é possível, porque eu acredito que é. Se não for nesta encarnação, vai ser em outra. Mas o que ensina a doutrina espírita é que o indivíduo dotado de inteligência e sabedoria não vai adiar uma vontade que é real e a provação que lhe foi escolhida. E eu sei que somos pessoas esclarecidas, ao ponto de não deixarmos que qualquer sentimento ruim prevaleça sobre nós.
Eu gosto muito de você e sinto sua falta. Queria ser mais presente em sua vida e queria você presente na minha. Às vezes fico lembrando da minha infância e como era nossa relação. Foi o momento mais feliz que passamos juntos. A gente ia para a fazenda; praia; jogávamos bola e frescobol; lembro o dia que você enterrou eu e Júlia na areia; quando eu e Mathe ficamos em cima do capo do seu carro enquanto você dirigia; quando você me colocava para guiar o carro e eu sentada no seu colo... E tantas outras situações que me faziam feliz.
O tempo que passou parece ter colocado essas experiências no campo de uma nostalgia profunda, como um sonho. Mas é isso que eu guardo dentro de mim, como a prova de outras realizações possíveis. É isso que me faz acreditar no amor.
Espero que essas palavras ecoem profundamente no seu coração e faça você refletir. Eu não estou pedindo nada a que lhe venha chatear. Não é meu desejo. Só anseio pela voz do seu coração. Porque foi atendendo à voz do meu coração que estou escrevendo o que escrevo.
Desejo sua felicidade, saúde e paz. Que Deus providencie mais vitórias para a sua vida, seja no campo profissional, seja em qualquer outro.
Feliz aniversário. PAZ! Um beijo
Sua filha,

Anna Karenina Vieira

"Tudo vale a pena se a alma não é pequena" - Fernando Pessoa.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Introspecto


Introspectivamente

Sou

Sei

Saio

Fico

Sinto

A Flor e o Sol

O chão se esvai
O juízo se perde
A vontade me toma
Meu desejo prevalece

Te encontro no labirinto
E me perco da razão
Quando revelo meu instinto
O corpo cheio de emoção

Meu amor platônico,
Não quero ser romântico
Prefiro morrer de amores
Do que ser como as flores:

Solitária beleza desperdiçada
Deve ser mais bela colorida
Clara com sua luz meu Sol
Regada de vida desprendida

Vem banhar as pétalas de amor
Não fica só meu Sol
Trocar força comigo
Já que você me chama de flor

Vem, mas não demora
Posso me perder por aí
Esquecer que sou flor
E murchar no seu jardim

07/11/2007

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

DITADURA! Só que dessa vez, é a da beleza.

Oriundo dos negros africanos, índios, orientais e dos brancos imigrantes, o biótipo brasileiro se define em uma mistura heterogênea de traços bastante peculiares. Esse aspecto é notado nas formações estéticas dos homens e mulheres que habitam o Brasil. A mesclagem multiétnica garante por si só uma beleza brasileira que se diferencia das demais no mundo a fora. Por possuir uma diversidade ilimitada, o Brasil parece carregar dentro de si o coração do mundo. E quanto a isso só temos a comemorar. Afinal de contas, olhar todos os dias para pessoas com o mesmo rosto não parece ser nada bom. Ainda bem que aqui no Brasil não temos esse problema. O que não falta é diversidade.
O que entra em contradição diante de tanta diversidade é o padrão de beleza que vem sendo estabelecido na sociedade brasileira. Ora, é até incoerente consolidar um modelo de beleza dentro de uma formação social e étnica como a nossa. O que se devia enaltecer de melhor, que é justamente a beleza singular brasileira, dilui-se pela ditadura da aparência cada dia mais forte. O que muito tem se observado é a valorização exacerbada que garotas e garotos têm dado à estética e aos moldes únicos a que eles devem atender. A moda entra como um elemento de peso nesse aspecto. Vestir roupas de determinadas marcas e do jeito que a mídia – pelas novelas e propagandas – têm imposto é uma questão não de escolha, mas de inclusão dentro de determinado meio social. E isto é grave. Atender sempre ao que a mídia massifica e consequentemente impõe, significa perder a identidade individual de ser – seja da própria cultura, seja do modo como se é de fato.
O ser humano desde sempre, tendeu para a formação de grupos de acordo com suas semelhanças. E o que caracterizou essas formações foram justamente as diferenças. Até aí tudo bem. Mas chegar ao ponto de impor um modelo de comportamento e de beleza representa agredir a liberdade de cada um. Não que isso venha a se tornar generalizado, mas o indivíduo social não precisa ser condicionado a ter que aderir a essa condição para ir e vir sem ser discriminado.
A mídia aliada ao mercado forma uma sociedade de consumo que caminha cada vez mais para essa uniformização estética. E esta sociedade que consome tanto quanto a mídia, ou até mais, é responsável por insistir nesse modelo. É um ciclo contínuo que pode resultar no dilaceramento de culturas e diferenças, se for realmente levado a sério e visto como uma tendência inofensiva dentro da sociedade. Preservar a cultura, transparecer a personalidade pelo modo de arrumar o cabelo, de vestir, de falar e de qualquer outra manifestação de ser por que assim o gosta, requer originalidade dentro de um monte de bonecas ou bonecos iguais. O incrível é como essa sociedade de consumo que alimenta os padrões de beleza da mídia, faz para ser do “mitiê” e apontar quem não pertence a esse padrão - até por uma questão de status social - para demonstrar “superioridade” por ser assim.
O que é engraçado é pensar o que vai fazer essa sociedade de consumo para se destacar quando conseguir uniformizar todos em um molde único? Seria retornar as origens? Sem esticar o cabelo, ou colocar botox? É uma alternativa. Mas até lá vale a pena pensar se o que é feio ou o que é bonito é o que cada um vai procurar de acordo com seus estímulos, diferenças e atrações, sempre individuais. A beleza não está no que alguém diz que é ou não. A beleza está na própria coisa: diferente, mas própria e original.

Anna Karenina

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Presente Singular Especioso

Nesse caminho
Posso ver mais nítido
O concreto abstrato
Seco, cru, profundo

Nesse caminho
Posso sentir mais forte
O amor sem desanimo
Puro, limpo, essencial

Nesse caminho
Posso cronometrar o tempo
O relógio sem ponteiros
Amigo, cumplice, sentido

Nesse caminho
Posso ser-me simplesmente
O ego desperto
Eu, Anna e Karenina

Isto porque a liberdade
Não é uma questão de escolha
Ela que já nasceu comigo

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Meu Sol

O Sol
É Tão lindo
Tão bom
Mistério

O Sol
É Tão forte
Tão intenso
Exotérico

O Sol
É Tão amor
Tão simples
Complexo

O Sol
É Tão ansiedade
Tão fogo
Vontade

Intriga
Atração
Força

Sol, só.