sábado, 21 de novembro de 2009

Ainda que ignorante

No meu caminho,
Que ando sozinho,
E encontro caminhos dentro dele,
O céu manda chuva
O sol a água enxuga
E a noite cicatriza e cura

A certeza do caminho pode ser céu e passarinho,
Ou céu sozinho,
Ou passarinho, que alça seus vôos longínquos, para outros céus

O vento da primavera pertence a ela
Que em seu momento tem o vento seu
Mesmo que a brisa tenha vindo do inverno
A primavera é primavera, dos sopros se apodera

O vento também é dono de si
Como tudo de si reside
Como uma essência compartilhada
Mas que individualizada, pode ser considerada

Autores da existência,
Consciência e condição,
Linha, página ou biografia
Vou escrevendo a cada dia, a vida,
Por ela também me deixo acontecer

Indagações, filosofias
Porque assim buscar essa sina?
Sina de dito embaraço, confundido em amarrar os cadarços?
Os cadarços são tão bons,
São para orientar os passos,
A cada sapato, um cadarço, um pé
Juízo para não se perder...

Os nós fazem parte da vida
Como uma linha, que torneia e trava,
Ou se desfaz em laço, que passeia e viaja,
Sem pedras na sola do pé

A verdade é tão pura e tão dura
E é por isso que a mente mente
Gosta de iludir a gente,
Ao ego satisfazer

A verdade é tão dura,
Que às vezes de dura, nem quero saber
Por isso que não sei apreender,
A verdade em sua total dureza pura

Por outro lado,
Não dá pra assim viver,
Da verdade nada sei,
Estou vivendo pra talvez descobrir,
Mas, enquanto descobrir,
Apenas quero ser,
Minha essência pura,
Que nessa minha caminha dura,
Deixo a face resplandecer:

EU + EXISTIR = VERDADE,
A minha verdade, ainda que ignorante.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Merchandising

Tinham narizes para todo lado
Tinham cabelos para todo lado
Brilhos, lenços e saltos
Bundas empinadas também
Bebiam em taças com venenos,
Lentos, fortes
A cólera que escorria da boca
Olhares fugazes partiam em ataque
A roupa se fosse de açúcar não existia, diluia
Os corpos eram os prediletos
Vestidos curtos vestiam as pernas de for
 As costas, vitrine de pupilas invejosas

O glamour perdeu o espaço pro marketing
O Merchan, mer-chan-di-sing
Dá de si e pega pra ti, invade
Homens de plásticos,
Mulheres de lata...
Essa é a maior casta,
  É para quem aparece mais,
  Para quem morre mais.

 Abril/2009

Manhãs escuras com Sol

Padeço
Esqueço
Anoiteço

Em sombras, amanheço
Mas não esqueço
Da luz que brota e permanece de mim.

PRIMAZIAS NÃO DE MIM

Quando em quando, de canto
- Olha as coisas frias, como um inverno!

Pouco a pouco, no meio, esmoreço
- Sente vento quente, Sol a queimar!

Entre a solidão de qualquer mar
Encontro terras,
Raízes de ditas primazias,
Não EU.

[AK] Outubro/2009

Morada Fluida

Aqui também mora uma mente
Mas não mora sozinha
Moram coração, paz e alegria

Mente que pensa
Coração que sente

Abstratos intocáveis,
Sentimentos correntes pensados
Às vezes pesados, sitiados

Não palpável, inodoro
Pensamentos correntes sentidos
Às vezes esquecidos, abstraídos

CORAÇÃO que pensa
Mente que SENTE
Mas a mente MENTE?

O coração também entende,
O importante é saber que sente.

.

Já encontrei um lar, dentro de mim, o amor.

[AK] Iniciada em Junho, concluída em Novembro 19 - 2009

Questões extras

E quanto às questões extras
No âmago do pensamento que viaja
E pode alcançar outras várias estradas,
Como você lá, eu cá
Você cá, eu lá
Há uma sensação virtual,
Mas que no plano real emana essência
Poesia a distância, quanto decência!
O que nos faz assim então escrever?

O ser se emana em tecnologia
Que faz disso daqui pra ver
O que a alteridade faz parecer,
A sensação de real ou virtual?
Não sei, mas faz acontecer

Entre nós “ser” e a metafísica ecoar
Está o acaso particular
De uma probabilidade em mil
De um raio que caiu,
E partiu,
Num instante rapidamente real, ou imaginário?
Destinado por um acaso real
Num destino autoral
Autores da convivência provocada e acontecida

Mesmo numa síntese de múltiplas determinações,
O real também pode ser superficial,
Se não sabido perceber
Que entre o céu e a terra,
Entre o mar e a atmosfera,
Outono e primavera,
Um lapso de luz se dissipa no espaço.

E nesse instante,
Se não se voltam os olhos pr’onde tudo acontece
No invisível cotidiano de nossa mente,
O virtual nunca pode ser real
Nem o real virtual,
Nem as canalizações transparentes
E os olhos apenas vêem, não sentem.

O importante é saber que sente.

[AK] 16/11/2009

Detrás dos olhos

Podexa, que o futuro é breve
Meus passos que me esperem
Eu não governo a força detrás dos olhos

Não sei em que pé eu vou
Só sei de que barco estou
Navegando entre mares leves

Deixe estar que a poesia é breve
Não tem pressa...

[AK] 13/11/09

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

poesia adaptada

Sabendo dos Porquês

Tenho que ir embora para longe
Em nenhum lugar,
Que ninguém me ache
Nem nada me perturbe

Para eu poder respirar e ouvir essa força que sai de mim,
Chamada ar
Nesse lugar que talvez exista
Que na minha cabeça resiste

Só preciso de uma sombra fresca,
Debaixo de uma copa de árvore
Em total contato com a natureza
Para que o AMOR em mim derrame
E eu possa viver sem olhos de mal olhar

Uma casa de sapê não serve
Poderia ser de PEDRA,
Para proteger das FERAS
Que por aí se ESCONDEM
Mas que já posso ENXERGAR

Já encontrei um lar, dentro de mim, o amor.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sou o que sou
Não faço promessas
Sigo minha vida
Sina de descobertas

O que me julgam?
Não processo
Porque não gosto de aponto,
Prefiro o acerto do passo para o certo

A vida é minha escola
Os princípios minha base
Na minha sacola só carrego,
Sentimentos, coisas raras

Sim. A cada dia seu mal
A cada noite seu bem
No mar ondas fortes,
Fracas e marolas também

Eu não temo a vida
Porque o que é meu ta guardado
Consciência nos sapatos
Já posso amarrar os cadarços!

Eu te digo com atenção,
O amor não tem dimensão.
É como a eternidade, que só se pode ter sensação.
- A gente não compreende Ele todo não!

Sou pequenina,
Mas já posso amar
Encontrar luz no fundo do mar,
Nadar à superfície e desaguar na imensidão de algum ar

Quanto aos grande e assassinos,
Deixe estar que sabem o que fazem,
De onde vêm e a que amam
Deles não sei de espanto

Sou o que sou, porque sinto Deus
És o que és, porque assim te escolheu
Da verdade nada sei,
Estou vivendo pra talvez descobrir.
E nessa possibilidade
Posso passar despercebida
Ou sequer, nem existida
Talvez não parida

Mas nem esquecida,
Desistida,
Ou inexistida não quero ser.
Vamos pular pra o viver!

- Que o amor sempre me regue!

[AK] 06/11

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sorriso Rosto nos Leve

Me diz mar, o que trás de lá?
À essas palavras de amigo, tão assim proferidas
De tão espontâneas, se escrevem sozinhas:
- Como um barco a vela navegando meio dia!

O vento já pode avisar
Mensageiro trouxe 'cousas' de lá
E de longe, com cheiro de terra, pode anunciar
Que o vento passeia e traz rosas pra cá

O profeta está a estar
Nesses rebanhos de folia
Que se permeiam em alegria
Já posso enxergar

O poeta está a poetar
Seja ele do mar, seja ele da terra
Nesses poetas profetas
Poesia profetizar

Nos labirintos, encruzilhadas,
Caminhos, rochedos escorregadios,
Passos em desvio, não ficarei frio.
É que eu vim de lá!

Vim a vigiar os tormentos
Que sobre a pele seca dos ombros,
Que já não podem suportar,
O peso dos maus olhos de cegar

Meu mar, meu mar
Deixa estar, deixa estar
Que os presságios venham a honrar
O que a Mãe Terra permitir

E quando esse dia chegar
O medo não venha a tomar
Coração de crianças,
Olhos de feliz olhar

Ó vida, para mim que te quero
Para nós, que esmero!
Com luz, caminhar
E rosas vão brotar

E água a jorrar
De duras pedras,
Purificar,
Purificação: medo em extinção.

Em algum momento, em algum lugar,
Nesse dia estarei a olhar
O mar de pedras que de nós pode desaguar
Na imensidão de algum ar.

[Como um vulcão de água salgada com pedras jorrando pra fora do planeta]

E então meu amigo,
Estarei a apreciar
O sereno tempo que de leve me fará a estar
Suave e no meu lugar,
Sorriso nos rosto leve.

Anna Karenina - Dois de novembro de dois mil e nove
Ao poeta que o tempo pelo vento trouxe poesia