Num típico bar de esquina, o sol quente e a boca seca me convidavam a olhar para o fundo do copo da cerveja gelada. O que tem para fazer hoje? Na verdade, estava a fim de escutar uma bossa nova. Mas é que a bossa estava velha, o lugar que combinava com ela havia fechado.
Aí então, pensei no samba, aquele chorinho malandro da viola que boas mãos fazem. Mas as ruas estavam vazias, as pessoas frias, olhares tristes dobravam as praças. É que o samba nem mais de tristeza falava, apenas o silêncio atordoava a minha euforia contida.
Os ouvidos queriam a cor da música, os olhos o cheiro da arte e a boca os versos mais inusitados. Maldito silêncio! Onde foi parar a manifestação da cultura? Venham becos para os centros, quero os guetos misturados aos meios, índios fora das tocas.
Faça-se abrir a roda para o gingado sair mais bonito e a ladainha libertar as canções esquecidas. De tanta coisa a vista, já enxergo o palco e os artistas atuando as cenas da cultura local.
Como uma tela preta de cinema, letras garrafais na mente me argüiam: “Onde estava você nesse enredo todo”? Uma sombra tapou o sol que esquentava minha cerveja. Era o garçom perguntando, “vai querer a saideira”?
Anna Karenina
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
PARA EMBRULHAR PEIXE
O jornalismo conhecido, na atualidade, muito deve à imprensa colonial. No Brasil, a regalia política do Império, os acontecimentos sociais e a exibição de luxos da sociedade eram os conteúdos dos jornais. É de se considerar esse tipo de jornalismo primitivo, supérfluo. Mas é de se relevar também, já que a cultura jornalística estava se desenvolvendo, e a imprensa colonial não representaria por toda a vida a essência da profissão – ainda bem. Apesar de que, começar puxando o saco da Corte, não é tão animador.
Pode-se ainda hoje encontrar jornais impressos parecidos com o da imprensa colonial. Não em relação às colagens artesanais, mas em relação ao jornalismo secretário do poder: aquele à serviço da política e consumido pela própria elite. Não é assustador que isso aconteça, porque assim começou no Brasil – faz-se jus às origens. O que é de assustar é folhear jornais poluídos de propagandas, textos medianos e 90% das matérias sobre política.
Em Vitória da Conquista, o perfil jornalístico descrito acima coincide com os jornais da cidade. É de desanimar que um município com 308.204 habitantes, segundo o IBGE, cinco instituições de ensino superior, um pólo atrativo comercial e agropecuário, possua apenas três jornais impressos locais, e ainda “queridinhos” dos gabinetes.
Recheada de um público formador de opinião, Conquista é carente de notícia independente. Por outro lado, as pessoas não têm hábito de ler jornal. Dificilmente se vê alguém indo às bancas comprar um. Além disso, os que lêem são assinantes de um jornal da capital, os próprios anunciantes do jornal local - para admirar sua publicidade estampada logo na primeira página, frente à manchete - ou aquele interessado em compra, aluguel ou venda de um bem, seja imóvel, veículo ou HD 320 de memória.
Iniciativas em prol de um jornalismo independente, foram por água abaixo por falta de investimento. Um jornal semanal foi criado por recém-formados em jornalismo na Uesb, e durou apenas quatro meses. Faltou quem investisse, mas o que não faltou foi coragem. Incomodou a muita gente por não estar tão submetido à publicidade e nem aos incômodos interesses políticos. Apesar da boa intenção, não resistiu.
Jornais impressos tendenciosos que monopolizam a informação fogem à premissa básica de responsabilidade pública e social que reveste o jornalismo. Esse cenário vigente retarda o crescimento das pessoas enquanto cidadãs responsáveis e a promoção da liberdade individual.
Para completar o quadro, editores colocam a publicidade acima do jornalismo sem equilibrar os lados, vendem as matérias e escolhem as fontes por interesses e benefícios. Isso compromete a credibilidade e sobrevivência dos jornais impressos - já ameaçada em meio à era digital.
A luta incansável pela democracia não deve ser sobreposta por panos quentes e peneiras para tapar os inúmeros sóis escancarados em nome da “pura” nobreza jornalística. O jornal de qualidade deve ser independente do poder para denunciar as mazelas da sociedade, e não se converter em diário do poder político vigente, mas refletir nas suas editorias os verdadeiros problemas e assuntos de uma cidade, e não apenas a política.
Anna Karenina
Pode-se ainda hoje encontrar jornais impressos parecidos com o da imprensa colonial. Não em relação às colagens artesanais, mas em relação ao jornalismo secretário do poder: aquele à serviço da política e consumido pela própria elite. Não é assustador que isso aconteça, porque assim começou no Brasil – faz-se jus às origens. O que é de assustar é folhear jornais poluídos de propagandas, textos medianos e 90% das matérias sobre política.
Em Vitória da Conquista, o perfil jornalístico descrito acima coincide com os jornais da cidade. É de desanimar que um município com 308.204 habitantes, segundo o IBGE, cinco instituições de ensino superior, um pólo atrativo comercial e agropecuário, possua apenas três jornais impressos locais, e ainda “queridinhos” dos gabinetes.
Recheada de um público formador de opinião, Conquista é carente de notícia independente. Por outro lado, as pessoas não têm hábito de ler jornal. Dificilmente se vê alguém indo às bancas comprar um. Além disso, os que lêem são assinantes de um jornal da capital, os próprios anunciantes do jornal local - para admirar sua publicidade estampada logo na primeira página, frente à manchete - ou aquele interessado em compra, aluguel ou venda de um bem, seja imóvel, veículo ou HD 320 de memória.
Iniciativas em prol de um jornalismo independente, foram por água abaixo por falta de investimento. Um jornal semanal foi criado por recém-formados em jornalismo na Uesb, e durou apenas quatro meses. Faltou quem investisse, mas o que não faltou foi coragem. Incomodou a muita gente por não estar tão submetido à publicidade e nem aos incômodos interesses políticos. Apesar da boa intenção, não resistiu.
Jornais impressos tendenciosos que monopolizam a informação fogem à premissa básica de responsabilidade pública e social que reveste o jornalismo. Esse cenário vigente retarda o crescimento das pessoas enquanto cidadãs responsáveis e a promoção da liberdade individual.
Para completar o quadro, editores colocam a publicidade acima do jornalismo sem equilibrar os lados, vendem as matérias e escolhem as fontes por interesses e benefícios. Isso compromete a credibilidade e sobrevivência dos jornais impressos - já ameaçada em meio à era digital.
A luta incansável pela democracia não deve ser sobreposta por panos quentes e peneiras para tapar os inúmeros sóis escancarados em nome da “pura” nobreza jornalística. O jornal de qualidade deve ser independente do poder para denunciar as mazelas da sociedade, e não se converter em diário do poder político vigente, mas refletir nas suas editorias os verdadeiros problemas e assuntos de uma cidade, e não apenas a política.
Anna Karenina
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Ei, cheguei! Me olhem
O comportamento dos jovens tem com o passar do tempo chamado cada vez mais à atenção, principalmente o das mulheres. Num bar badalado da cidade, me ative em observá-las. Seus comportamentos apelavam de um modo que era impossível não perceber. Cigarro numa mão – claro - e um copo de campari com gelo na outra. Seus lábios repetiam o tempo todo as letras de música do cantor no palco, seusolhos mexiam-se inquietamente para todos os lados, a procura de alguma coisa. Enquanto esperava alguma mesa próxima vagar, se exibia dançando e jogando os cabelos sempre que tinha oportunidade. O bar, enfim, lotou. E ela não pode mais se sentar, não vagou nenhuma mesa para descansar seus pés calçados num scarpan preto e alto. Mas ela talvez nem quisesse mais sentar, até porque estando em pé ela ficava em evidência, e enquanto só faltava subir em cima da mesa, fazia de tudo para os homens observá-la.Bom, essa foi uma das cenas que observei. Mas, suas amigas não muito diferente, repetiam seus gestos constantemente. Preocupadas em retocar o gloss dos lábios, se observavam o tempo todo. Na verdade existia uma certa disputa para quem conseguia ficar em um lugar privilegiado, onde pudessem ser vistas – até porque o espaço estava apertado. Além disso, a concorrência não parecia ser nem um pouco baixa, porque outras garotas competiam com elas. Depois disso, o álcool começava a fazer efeito, e suas ações ficavam cada vez mais exageradas.A questão não é o álcool, mas o comportamento que as jovens estão assumindo para aparecerem. O assédio não é mais um incomodo, mas um desejo. Assumindo comportamentos exagerados, as mulheres hoje em dia crêem em algum benefício. Ser desejada, invejada, ser o centro das atenções são os objetivos principais. A questão da imagem é simplesmente prioridade. Os padrões de beleza são seguidos à risca. Ai de quem não se enquadrar, está fora. E está fora mesmo, a sociedade exclui sem dó.Neste contexto elas vivem, e permanecem. Enquanto que antes - subjugada aos tabus da sociedade, “rainha do lar” e luxo de exibição social do marido - a mulher lutava para não ser objeto sexual. Hoje, que conquistou autonomia e independência na sociedade, ela luta para ser objeto de prazer.Fingir que não ver não dá. É uma evidência constante no cotidiano das pessoas. Repensar porque isso ocorre, de um modo tão desenfreado, não doeria. Seria preciso mesmo a mulher comportar-se vulgar para ser notada, valorizada, amada? Hum... Acho que não hein.Por
08/07/2007
08/07/2007
sábado, 12 de janeiro de 2008
MÃE
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