sábado, 22 de janeiro de 2011

Humanidade

O vento passeia pelo quarto
Leve brisa me toca a pele
E até sino canta
Quando a chuva santa
Cai, e balança
São as folhas e plantas

Aroma, terra molhada se levanta
E em minha morada germina
A cor, e tudo sublima
Esse vento sempre...
Me acaricia suave e fina

São correntes de ar
Canalizações transparentes
De repente, se sente
É o vento! Está presente

E ele vai soando
Pra eu continuar o verso
Não canto, mas faço
Alguns versos diferentes,
Latentes.

A poesia não pode parar
Ser cursiva, como ele
Se emana da alma e fala
- Ô Coração, que é a gente!

É o vento, é o tempo
Lascivo, também é quente
Sabe ser doce, mas é que no fundo...
Também se pressente.
Pense:

Como tudo é sempre,
Estou falando dos meios
E não dos fins.
Como tudo está entre
O que se vive e assiste:
Como um filme em película
Vai passando em nossa mente...

O que também é vida
Há vida entre
O instante que se viveu e aprendeu
E o que nem sempre se absorveu.

Me falam do cinema,
"Um modo divino de contar a vida",
Federico Feline
Mas, e a vida,
Como pode ser contada por Deus?

É que no peito um dia nasceu,
Árvore de vivida,
Limpa, forte e vista
Que ensina a ser...
Eu, Tu, Ele. Nós.
Já somos a película:
Vibrante e viva!

É. Porque se a vida reside numa sala,
Com hora e programação,
Então meu projetor também tem passo e marcação.
Ele bate sem parar,
Pulsa intensamente
É calmo, mas sabe ser valente.
O retado funciona, como um trilho, sempre.

Como um vulcão ativo e constante
Jorrando sentimentos
Explodindo medos
Abrindo mais as suas crateras quentes...
E se juntando com outros vulcões...
É... Ê compasso de coração,
É semente!

É a vida,
Formosa e consciente nessa tela de enfeite.

Minha produção sou eu,
São as obras correntes.
Mas o diretor é Deus,
Abriu as portas de Sião e falou:
- Vai, porque quem não foi o fruto se perdeu.
E também me disse assim
- Navega, que o mar tá pra peixe,
Mesmo com redes
Vai buscar enquanto é o tempo
Fluida entre linhas, passa no buraco da rede,
Ô filhas de Sião, pega o quinhão!

No mar não se vacila não.
Sede pescador,
Mas tem humildade
Que a fruta só da no tempo
Tudo tem o momento.

Enquanto outros pescam ilusão,
Tu não liga não.
Porque és pescador,
Mas né qualquer peixe não,
Enquanto uns vão vão...
Tu vens vens
Sê pescador de homens.