Distribuo
poesias pela rua
No banco
sentado da Praça
O verbo
delira defronte o Teatro Municipal
E o
cotidiano se dissipa na paisagem
Sonoridades
saem das cordas violonísticas,
São
dedilhados nas batidas que o músico faz
Aqui ao meu
lado, é o Vesúvio
A vez do uso
de usar nosso patrimônio
Da cidade
que era capitania de São Jorge dos Ilhéos?
Ou ainda capitania?
Patrimônio
que é moda
Tema de
novela, Gabriela
Da TV BOBO
que pensa abraçar o Globo
E exportar
nas telas
O que pensa
o que é o todo:
Irradia para
todos telespectadores que a assistem
Suas
caricaturas canhestras
Seus
estereótipos construídos
E
massificado falido na tela!
Mas olha pra
ela! A Gabriela de Ilhéus!
Prostituíram
minha cidade
Revoltaram
na desconstrução construída
Uma ira de
vaidades sociais
Dos que criticavam
a dita burguesia,
Seus padrões
morais,
E fizeram
outros padrões morais em cima deles,
Revelando-se
uma nova burguesia.
Que é
antiga, como os burgueses que um dia criticou.
E que se
alastrou,
Com
sobrenome amaciado,
Estereotipou
o amor.
Mas oh!
Seria tudo
tão desinteressando?
Um discurso
decorado,
Por causa da
sofreguidão alheia.
E que se
justifique em muito libido,
Enlambuzando-se
os dedos,
Das
voluptuosas mulheres baianas.
A preço de
quem?
Da cultura
de uma terra, e de um povo,
Que hoje
herda,
Homens
velhos, safados e torpes,
Tarados:
Prostituindo
nossa terra.
Seria tudo
um legado?
Diante de
tanta gente?
Que canta,
dança, interpreta e parte?
Faz sua arte
cultura sem desamor?
Está
estampado!
Está na
cara!
É o tempo
presente,
São as
gentes,
São as artes
deste povo que vigorou!
Mas oh!
Minha
cidadela está na moda...
Tanta gente
carente na rua
E tanta
gente desce do navio,
Que vem
andando sorridente,
Com suas câmeras
nas mãos,
À procura do
senil.
É um
mendigo,
Um cão
ladrando na rua,
Um homem
maltrapilha falando sozinho...
Que ao
celular finge falar,
Coloca a mão
na orelha
Segurando a
tampa de um controle de TV.
Ah, é um
controle.
Vamos,
sirva-me do melhor,
Quero as mentiras de uma época,
Uma ilusão te-le-vi-si-o-na-da,
Me dê o
controle da televisão,
Me dê uma
ilusão,
Um copo de
cólera.
Só enxerga o
que os olhos querem ver
Ainda que no
exterior
A realidade
se ES-TRE-ME-LE-QUE
De tanto ser
desassistida,
E fingida,
numa tela doente.
Por quem só
assiste e não vê
Quem diz que
ama e não crê...
Alqueire.
Nenhum comentário:
Postar um comentário