sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Alqueire


Distribuo poesias pela rua
No banco sentado da Praça
O verbo delira defronte o Teatro Municipal
E o cotidiano se dissipa na paisagem

Sonoridades saem das cordas violonísticas,
São dedilhados nas batidas que o músico faz
Aqui ao meu lado, é o Vesúvio
A vez do uso de usar nosso patrimônio
Da cidade que era capitania de São Jorge dos Ilhéos?
Ou ainda capitania?

Patrimônio que é moda
Tema de novela, Gabriela
Da TV BOBO que pensa abraçar o Globo
E exportar nas telas
O que pensa o que é o todo:

Irradia para todos telespectadores que a assistem
Suas caricaturas canhestras
Seus estereótipos construídos
E massificado falido na tela!

Mas olha pra ela! A Gabriela de Ilhéus!

Prostituíram minha cidade
Revoltaram na desconstrução construída
Uma ira de vaidades sociais
Dos que criticavam a dita burguesia,
Seus padrões morais,
E fizeram outros padrões morais em cima deles,
Revelando-se uma nova burguesia.

Que é antiga, como os burgueses que um dia criticou.

E que se alastrou,
Com sobrenome amaciado,
Estereotipou o amor.

Mas oh!
Seria tudo tão desinteressando?
Um discurso decorado,
Por causa da sofreguidão alheia.
E que se justifique em muito libido,
Enlambuzando-se os dedos,
Das voluptuosas mulheres baianas.

A preço de quem?

Da cultura de uma terra, e de um povo,
Que hoje herda,
Homens velhos, safados e torpes,
Tarados:
Prostituindo nossa terra.

Seria tudo um legado?
Diante de tanta gente?
Que canta, dança, interpreta e parte?
Faz sua arte cultura sem desamor?

Está estampado!
Está na cara!
É o tempo presente,
São as gentes,
São as artes deste povo que vigorou!

Mas oh!
Minha cidadela está na moda...
Tanta gente carente na rua
E tanta gente desce do navio,
Que vem andando sorridente,
Com suas câmeras nas mãos,
À procura do senil.

É um mendigo,
Um cão ladrando na rua,
Um homem maltrapilha falando sozinho...
Que ao celular finge falar,
Coloca a mão na orelha
Segurando a tampa de um controle de TV.

Ah, é um controle.
Vamos, sirva-me do melhor,
Quero as mentiras de uma época,
Uma ilusão te-le-vi-si-o-na-da,
Me dê o controle da televisão,
Me dê uma ilusão,
Um copo de cólera.

Só enxerga o que os olhos querem ver
Ainda que no exterior
A realidade se ES-TRE-ME-LE-QUE
De tanto ser desassistida,
E fingida, numa tela doente.
Por quem só assiste e não vê
Quem diz que ama e não crê...

Alqueire.

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