sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ao Tupiniquim

Diz que é essência em si, sem termo
E porque logo em seguida, de início, cede ao pensamento?
E depois, secundariamente e no final, sentido e sentimento?
Se por si só, imaterial, estabelece-se
Não precisamos da mente simuladora e conflitante,
Que disfarça a sutil consciência do indivíduo.
Você é puro, sem termo mesmo
Não precisa do “nada”
Nem saber se veio antes ou no fim
O que preexiste é consciência
Não eu, audaciosa humilde como me fantasia
Eu também tenho ego, não disfarço
Mas ainda estou longe da onipresença
Embora tenha olhos, que sim, de acordo com você,
Absorve o imaterial sentimento do rosto que vira,
E ainda que não concretamente virado, e de olho nos olhos
Sim, vi em primeira via aquele que se viu defronte, nunca antes
Coisa que o virtual não permite.
E ainda que encarado, para se referenciar naquele instante
Preferiu seguir mesmo em silêncio,
Não reagiu ao dito sentimento que começa,
Com argumento de mania e auto-proteção...
Não me destes a oportunidade moço afoito,
E já vens com o peito esmorecido de cansaço,
Eu estava ali querendo arrancar seu sentimento mudo,
Que ainda em diferentes identidades simulacras,
Eu ainda via um ser desnudo,
Com seu rumo, cozinhando num infinito natural...
Mas que para isso,
Não precisava de carapaça desconfiada,
Eu era só um braço estendido, que não queria assustar,
Embora tenhas cedido ao ardor que segue no peito.
Me livrei do ardor que seguia no meu peito,
Por isso fui falar com você,
Caso contrário, nunca iria descobrir
O que o propósito da ferramenta extensora e virtual,
Que pode “assustar as pessoas”,
Serviria nessa realidade imaterial,
E sim, metafísica sempre.
E para saber mesmo que,
Não são as ferramentas que assustam,
Mas são as pessoas que ficam assustadas,
Com o nada ou o vazio,
Que sobrevoa fluido no corporal.
Por favor, não me peça desculpas pela intervenção virtual
Já explicastes que não sabe que vai, nem pra onde,
Eu acatei a comunicação que veio,
Só não sabia que existia mais vida nesse espaço:
Tecnológico, louco, frenético,
Imaterial, virtual, sem quando e nem onde
Apenas alguns milésimos sensoriais
Para saber que o homem,
Ainda prefere as diferenças e conflitantes,
Simulacros, simulações, e não o olho no olho,
Apenas uma construção virtual...
E, que, no concreto cede ao rosto virado e silencioso,
Enquanto poderia emanar o ser em tato, concreto.
O ser e o ser, sem artefato frenético.
Com delongas demais,
Cedo esses próximos versos as suas aferições sobre mim,
Diz que fica bem, sabendo dessa que sente, pensa,
“Mesmo que pensando pensar por outros”...
O que eu digo é para retirar-se de seu pedestal,
Eu não te coloquei aí,
Refere-se ao espelho?
Não te presenteei. Mas insisto nele, afirmo,
Você mesmo colocou-se aí, porque está sob ele,
Antes mesmo de conhecer-me.
Não combina o espelho, nem o pedestal,
Logo com esse que se diz cansado de abrir o peito,
Pouco tão com o dizer de que o nada veio antes do si,
Porque o sutil prefere e declara-se o ser petulante?
Ah, sim... Já me ia esquecendo,
Tentei não fazer rimas,
Espero que agora agrade à vossa majestade, que rima bem sem perceber.
Um beijo à Tupiniquim,
Ele que aceite pelo coração,
A poesia que esta escreve com o sentir.

Eu, Anastácia - a escrava que usava focinheira.

Nenhum comentário: