sábado, 4 de junho de 2011

Prosa

Invento em você uma forma que se encaixa com a minha. Idealizo e sigo por dentro de ti um carinho, que me faz materializadamente sentir seguro. Mesmo que eu esteja seguro. E crio o que não vejo, uma sensação momentânea ilusória que mesmo assim uso pra poder sentir que até na ilusão me faço consciente. Consciente entre ti e mim, nesse lapso por ora agressivo maciço, por ora irresistível. Eu sei que essa tela que pinto resulta de uma escolha que faço, e te faço servir pra mim. Você é o abismo entre o real e o metafísico, tão real mas tão inapreensível. Minha fantasia tão cruel, que martiriza e acaricia esse ostracismo.
Me desfaço mas faço em mim valer tudo o que me é vivo, latente e cheio de viço. É isso que me faz prosseguir, sem temer que a ilusão se reduza a pó e se desmanche toda em minha frente. Eu acho é bom, porque sei que a verdadeira percepção se aproxima do que posso entender por luz, força e calor. Adeus minha dor!
Sinto a vibração do Sol chegar aqui, entrando flamejante pela janela e apaziguando qualquer angústia que por ora pode se querer residir. Algo sublime que me chega e acalma todas as paredes, minhas testemunhas.
E eu sei, o caminho é de paz, dentro dos caminhos chorosos do mundo. Preservo em Deus minha integridade e sigo certo, mesmo quando errado, a jornada da vida ensina e mostra por onde e como o reino se comunica e se alia em nossos corações tão humanos, às vezes machucados.
Já disse, adeus dor!
Sejam bens vindos, o amor, a paz e a redenção!
Graça de purificação!
Obrigada meu Pai,
Obrigada Senhor!

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