sábado, 4 de junho de 2011

Banhista em alto mar

Quase completo o círculo dos olhos seus
A fitar retamente este semblante onírico
Semi-circunferência aberta, fechada,
Olhos de piscininha
Que mergulho sem me molhar

Verdes verdes olhos
Olhos verdes, verdes olhos
Olhos de piscininha, óleos
Impermeável subtraio,
O rio com água do mar

Por ora raso,
Me invades com golpes profundos
Mas nem fundos chegam
As suas flechas de banhista
Que deleita-se sobre margens calmas
Satisfaz-se com marolas e rosas
Basta, já basta acalento ar

E que embora arredios
Às vezes seus olhos frios
Sentem mas não conscentem
O que meus despretensiosos olhos
Querem te falar

Vamos, democratize
Socialize paz
Dê-me o direito do espaço
Espaço e meio
Que exerço
Da poesia singular.

Não és tu recitador?
Que por palavras expressa
Idéias robustas
Idéias tão sérias? Tão sérias.

Vamos, vamos mais
Coloque pra fora o sentimento
O que seus olhos mostram
Desse passeio em alto mar...

Mas também não me censure,
Minha poesia quer falar
Que marinheiro tem leme
E gosta de navegar.

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