terça-feira, 7 de junho de 2011

Sentimento do mundo

Nunca cheguei a acreditar que as dores do mundo coubessem em minha poesia
Por isso nunca quis versar sobre isso.
Não quis pensar,
Que a poesia poderia, serviria para falar de coisas maus e ruins
Dessa fadiga que outrora me entala na garganta,
Do soluço social, do arroto descabido,
Da azia indiscreta, das dores de cabeça,
Da cabeça de dores doídas: o mundo
Na verdade sempre fugi, poupei as palavras
Ó palavras!

O mundo: ingratidão, ignorância.
Estúpidas granadas no meio do caminho,
Ao trajeto desviado,
Desviado,
Desviado,
Desviado da via do amor,
Amor de seres humanos.

Minha poesia não cabe no mundo.
Nem o mundo cabe em minha poesia,
Porque estou entre,
O que se vive e assiste,
Como um filme em película,
Vai passando em nossa mente.

Inicio pela tela doente,
Ludibriosa, cheia de espetáculo...
A manipular insolentes
Faltam palavras pra isso:

Não processo o que vejo na televisão
Por ora se descobriu, estrondosa descoberta
EUREKA!
A têve se despiu...
Que grande coisa, o SEXO!
Uau! Quanta inovação!
Coisa tão velha, arcaica,
História de humanidade,
Oh! Que bobagem!

Não. Mas não é não!
Há quem goste de deturpar
O instinto selvagem,
Falsear a copulação.
D'onde nasce, reproduz a vida,

Agora é divulgação.

Publicidade, produto caro,



É na telinha,
No jornal, no mural
Out door, cinema, carnaval
Camisinha, veste o pintinho
Criancinhas estão com frio!
Vai pra escola estudar,
Kit gay, homofobia,
Seja travesti, minha coleguinha,
Te dou uma camisinha!

Se furou, não faz mal
No dia seguinte uma pílula,
Kit bomba, hormonio do mal
Se engravidou, não tem problema
Faz aborto, que legal!
Pra tudo uma saída
Dessa merda de animal



Mas não, ela (a televisão)
Está vendendo para menininhas e menininhos
O seu produto de merda
Banalizou-se a relação entre o homem e a mulher,
O envolvimento amoroso, o casulo,
O cravo e a rosa, Oh! Tão lindos,
Viraram um monte de melecas
Se lambuzando como abutres insandecidos:
A novela!

Sexo, só!
Só, sexo!
Se
Xo
Séquiso...

E coitados dos abutres, tão nobres!

(em continuação, termino depois...)

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