segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Dia de uma Enamorada da Vida


Desaprendi a me apaixonar
Pois não sei mais onde guardei
A ilusão de uma paixão,
Que invade e atropela os pensamentos...
O envolvimento,
O laço e o beijo.

O calor entusiasmado,
De um precipício à vista a se jogar.
É... Perdi o rebolado...

E não adianta jogar feitiço
Já estou acostumado!
Quando eu olho no seu olho,
É quebranto,
Vejo o laço encomendado,
E se desfaz o castelo de barro.

Você gagueja e finge atrasado,
Olha pro lado e pensa,
“Qual será o próximo passo?”
E então se entrega de bandeja...
Não gosto de homem fraco!

É... Eu perdi o rebolado...
E o calor precipitado.
Sofro de consciência solitária!
E hoje, sou calado,
Satisfação me dou a mim mesmo.

É... Desaprendi a me apaixonar
Fiquei dura feito ferro,
Porque a vida me refez.
E o que se fez?
Coração visceral feito o meu,
Duro e doce que nem mel.

Assim sendo,
Qual o mal que se tem?
Se na vida desamei,
As paixões de uma mocidade ligeira?
Seria eu cruel,
Sem sentimentos, indiferente?
Não. Não.
Ao fel não me entreguei,
Sou poeta de nova guarda.

Já encontrei o meu amor:
De tempo presente me sou,
Amo essa vida, a luz e a cor
Vibrantes cintilam as luzes da estrada.

O silêncio me ensina,
E a solidão me talha.
Amor na vida só com dor,
Senão não há graça!
Não se trata de “masoquista”...
Só não pode ter medo, não.
É que nem samba canção...

Sou minha melhor companhia!
Em tempo de desalento:
O tempo passa e te aproveitam,
Você passa tempo de alguém,
Alguém passa tempo de você...
O tempo passa por vocês,
Depois se descartam em despojos.

E tudo o que era, virou-se a pó,
Para reconstruíres seu castelo de flores?
E amores num peito vazio?
E o tempo passa,
E passa o vento.

E no ouvido uma voz me fala:
- Antes a mão vazia e o coração cheio,
Do que mão dada e coração vazio.
A melhor companhia de agora,
É brisa que sopra na varanda d’alma.

Só sei amar se for com dor,
Se assim não for,
Inteiro do que se é,
Guarde seu vinho seco,
E poupe o brinde de mentirinhas.

Porque eu fico com a vida,
Por ela me enamorei...
Meu passado se desfez,
Sou artista do tempo presente,
Que não pressente
O futuro de agora...

Quem me vê assim passando,
Sossegada, de passos selados,
Não imagina...
Que tem um samba arrumado,
Em passos de mocidade e alegria.

Que me vê assim sambando sozinha,
Miudinho, sem muita euforia,
Não imagina...
Que esse samba é de mulher rendeira,
Samba e canta nas contas a reza.

Uma paixão que o tempo preza! E não erra...

Quem me vê assim passando, sambando e sozinha,
Não imagina
Que estou guardando o meu vestido de chita!
Pra quando o carnaval passar...
Pra quando o carnaval acabar...
E as águas de março fecharem o verão.

Vou de mocidade.
Um pouco à moda antiga,
Um tanto modernista,
Tô me guardando o vestido de chita,
Sou nordestina,
Que destina...
Para a paixão incendiada!

É, me entreguei,
Sou poeta desta vida.
Eternamente apaixonada,
Sou e fiquei,
Sou palavras.

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