quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Eu, retroprojetada.

Apenas 12 anos, com um olhar profundo, um tanto que triste, mas também doce e cativante.
De quem herdei esse genótipo? Aonde está o meu verdadeiro olhar? Busco numa foto, num porta retrato, me encontrar. Onde estou? Essa sou eu? E dessa foto, faço retroprojeção em desenho para o papel. É como se desenhar cada traço meu, cada expressão minha, eu pudesse mergulhar nos meus brios e descobrir em cada rabisco que eu desse, a minha verdadeira identidade, a minha essência.
Mas desenhar, escrever, vomitar pensamentos em palavras, são os meus acho que maiores medos. Pois não sei a dimensão que pode sair, a intensidade que pode atingir e nem o quanto pode me abalar. É um abismo virgem, que apenas foi explorado em pouquíssimas, insignificantes coisas perante o seu tamanho real. E então, já que se é desconhecido, estranho, eu fujo, corro, sou covarde, e procuro esquecê-los, ou menos piro, adio pra mais tarde. Até quando serei covarde e ficarei adiando? Dons muitas vezes - será que posso chamar de dons? Não sei - que ficam congelados, como se estivessem esperando a hora certa de trabalhá-los. Retroprojetei, e nem sequer achei parecido comigo mesma. Penso que isso tenha algum significado e faça sentido. Eu não deveria desenhar incrivelmente, não, mas acho que estou sendo como o desenho, o que não sou de fato. Sou sim, a imagem revelada na foto, aquela que a câmera registrou todos os traços, cada forma, a realidade, a Anna Karenina, com precisão e nitidez, se desfocos.
Por essas e muitas outras que eu prefiro ficar na minha, calar os pensamentos, engolir o vômito que está na garganta, para evitar auto-questionamentos, como está acontecendo agora. E assim, não precisarei tocar no meu abismo.
Às vezes, engolir esses "sapos" é melhor do que se sentir frustrada. Por mais que eu esteja assim, um pouco demais melancólica e pensativa, sei que esquecer e me iludir que está tudo bem é o que tenho que fazer e não dar vazão para que esses pensamentos e sentimentos, muitas vezes tristes, se propaguem. Continuar assim, é muito cômodo pra mim, é muito mais fácil do que ter que encarar o fatos de fato, não vou mentir, na maioria das vezes me consolo e me faz bem, tendendo a permanecer assim - eu sempre volto por qualquer desistência minha. Tudo é limitado, menos o meu abismo. Será que toda vez que eu ficar sozinha comigo mesma, toda vez que eu vá menstruar, esse abismo vai me tomar? Sempre será assim? Até quando?
Eu tenho muito o que fazer, estudar química, ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas, lições de geometria, matemática, ligar para Thaiane, e o que eu não lembro agora. Mas eu continuo na mesma, parada. Ah! Você é uma fraca Anna! Mas porque? Porque sou ou estou assim? Tem que existir explicação. Não é simples deletar tudo da mente consciente e principalmente subconsciente e colocar outra consciência e continuar executando, executando, executando, executando... O papel está acabando. Tenho que parar. Os pensamentos vão ter que ficar para próxima, ou levaria uma vida escrevendo. Volte para a realidade. Será que preciso de ajuda?

8/8/2004

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