quinta-feira, 11 de outubro de 2012

De filha para pai

Em algum lugar do universo,
Um encontro.
A vida nos trouxe pra perto
Broto, do seu ramo.
Ao lado, são genéticos,
Nossas fibras de humano.

Esses laços vicinais,
De posteridade sua,
Sou descendente flutuosa:
Transcendo nossas fronteiras
Vou de ímpeto ou de barco,
De mãos dadas, navegante
Ancorando no infinito os nossos mastros:
-> O eterno se figurando.

Ventos alísios,
Saltam brisas em nossas velas
Lisos e desmedidos
Norteiam a embarcação,
É vigorante! Vamos!
Ao oásis do oceano,
Oh vida tão vistosa!

Já houve mar bravio,
Tempo forte, ventania:
As tempestades que nos irrompem pelo caminho...
Mas mesmo assim, caminho,
Para onde além o Sol se descobria,
E mesmo quando era tudo cinza,
O colorido resistia, então sorria.

Mas não tem nada não,
Agora só aprecio:
A brisa leve que nos cílios sopra.
Abrem e fecham, serenos.
E quando chorosos os olhos meus,
Sofriam mas não temiam
Sentir a dor que irrompia um vazio
E que acabou.

Embora pouco estejamos a sós,
Lanço no infinito
Um pensamento alto, uma oração
Para que o tempo zele o rebento
A áurea do coração.

E os desvarios,
São frios,
Mas se retiram quando a fé cresce.
Para tecer, para viver
O mistério do amor.

Entrego-te os meus versos simples
Sem tudo conseguir traduzir,
Mas que tudo se encarregue
Do pouco que te anuncio
Que sejam vindouros,
Sejam dourados
Todos os anos de sua existência.

2011

Nenhum comentário: