Ele vinha lá de longe
Ao longe uma névoa branca confundia
Entre sons ininterruptos, ele sorria
É um ser inacabado
Voluptuoso homem que passava
Como quem passa uma vez
E n'outra fase passa mais

Vai e não volta, feito água de rio
Também não se repete
Como quem em uma vez se vê
Apreendido na visão
Não se discerne os tantos que és
Confunde-se em confusão
Mas é só pra i-n-t-e-r-p-e-l-a-r
A névoa fosca se retira...
É que uma coisa ainda se admira,
O sorriso, mesmo que i-n-t-e-r-c-e-d-i-d-o...
E só se pergunta, entre tanto desatino,
- Pr'onde é que vais, menino?
Se é aqui que quer te ver?
Sorrir.

O peito do meu ser te chama...
Milhares de gotas de sal, e de chuva,
Inundam o arsenal.
E ainda que não revelado,
Eu posso sentir você.
Estou com os pés na margem do rio...
Mergulho ou esvazio?
Talvez até o céu de abril...



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