sexta-feira, 26 de março de 2010

Diferença no AR

Sinto leve a brisa tocar a pele
Ressequida por outra vezes,
Outras vidas... Em cansaço.
Escrava de última geração,
Rende-se à liberdade,
Como um sopro para fora da prisão...
Abstém suas víceras, essas vestes orgânicas
Que teimam arder e não se esquece que existe
Mas a redenção, não precisa de pele
Se encontra dentro dela,
E as portas vão bater,
O vento ruge,
Vem o amanhecer.

Bate bate liberdade
No peito a bombear
Chega chega na cidade
O povo vem se levantar

Sai sai passarinho
Da gaiola do olhar
Voa voa menininho
A asa vem chegar

Bate bate meu sininho
A janela anunciar
Ouve ouve minha gente
O vento está a cantar!

-  Vamos Anastácia,
   Chegou a sua vez...
   A cortina se desfez,
   É tempo, não demore a andar

Respondeu Anastácia ao vento:

-  Mas porque vento do céu?
   Tudo continua do mesmo jeito
   Nao se olha mais pro peito...
   Ainda sinto as marcas das algemas.

- Não te aflinjas, menina... Soprou o vento na imensidão
  O que vale, não é mais o que se vê,
  É o que se sente. As portas se romperam...
  Isso mudou. Corre! Ainda é tempo.

Esbaforida saiu aos ventos, Anastácia,
Correndo, voando...
Maltrapilha e estabanada,
Com duas coisas na mão:

Flores e o livro sagrado de algodão
Mal acertava os passos,
Ergueu-se o Amor na sua frente,
Clareando-lhe as vistas...
Despindo sua maltrapilha,
Foi desnuda e sem pele,
Entrou o Sol nas suas vestes entranhas do ser.

Voa menininha,
Canta poesia pras palavras anunciar...
Sente passarinha,
A liberdade chegou,
Redenção de amor,
O SOL VAI VOLTAR.

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