Sinto leve a brisa tocar a pele
Ressequida por outra vezes,
Outras vidas... Em cansaço.
Escrava de última geração,
Rende-se à liberdade,
Como um sopro para fora da prisão...
Abstém suas víceras, essas vestes orgânicas
Que teimam arder e não se esquece que existe
Mas a redenção, não precisa de pele
Se encontra dentro dela,
E as portas vão bater,
O vento ruge,
Vem o amanhecer.
Bate bate liberdade
No peito a bombear
Chega chega na cidade
O povo vem se levantar
Sai sai passarinho
Da gaiola do olhar
Voa voa menininho
A asa vem chegar
Bate bate meu sininho
A janela anunciar
Ouve ouve minha gente
O vento está a cantar!
- Vamos Anastácia,
Chegou a sua vez...
A cortina se desfez,
É tempo, não demore a andar
Respondeu Anastácia ao vento:
- Mas porque vento do céu?
Tudo continua do mesmo jeito
Nao se olha mais pro peito...
Ainda sinto as marcas das algemas.
- Não te aflinjas, menina... Soprou o vento na imensidão
O que vale, não é mais o que se vê,
É o que se sente. As portas se romperam...
Isso mudou. Corre! Ainda é tempo.
Esbaforida saiu aos ventos, Anastácia,
Correndo, voando...
Maltrapilha e estabanada,
Com duas coisas na mão:
Flores e o livro sagrado de algodão
Mal acertava os passos,
Ergueu-se o Amor na sua frente,
Clareando-lhe as vistas...
Despindo sua maltrapilha,
Foi desnuda e sem pele,
Entrou o Sol nas suas vestes entranhas do ser.
Voa menininha,
Canta poesia pras palavras anunciar...
Sente passarinha,
A liberdade chegou,
Redenção de amor,
O SOL VAI VOLTAR.
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