E eu já estou anestesiada
Anti-dores me injetaram
A reação não tenho mais
Aliás, é tornar-me inerte
Como as ondas e embalo eu vou
Como aquela música que um dia alguém cantou
Nas entrelinhas do som de cada palavra
As entrelinhas do pensar
E a caminhada é essa
Viver o agora de maneira feliz
Anestesiada eu vou
Anestesiada estou
Tentar consertar
Melhorar, de nada vai adiantar
Porque sempre à forma inicial vai voltar
Como esse poema desordenado
Vai a minha emoção
Sem eira nem beira
Palavras inadequadas para expressar
O meu passar mesmo que não queira
Por trás desses louros fios
Tintas que borram minha cor amarela
E eu sobrevivo à tudo isso que cai
Sem nem mais querer saber o porque
Apenas aceitar é a atitude
Já que minha vida à mim não pertence
Nem nunca pertenceu na verdade
Ilusão de harmonia e equilíbrio
Era a minha fé
Vejo hoje que de feridas
São feitas nossas vidas
Fundas e doloridas
A esperança como sempre disse
É a única coisa que não posso perder
Mas passar o momento rápido agora
É o que eu mais quero ter
Na expectativa de um futuro livre
É aonde habita minha esperança
Livre e seguro
Nítido como essas cores que o Sol clareia
Um futuro iluminado com rumo.
29/08/2005
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