quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cantiga de pescador

Ô meu Morro, de Pernambuco!
Meu menino!
Ô meu refúgio, meu verdinho!
Tu és lindo!

Fale pra sua moça dos seus devaneios
És mui belo e formoso, e arco feito:
- São esses mistérios, teus coqueiros!

Tu me acompanhastes em minha mocidade,
Mas sabes que do arco,  a dor,
Nesta cidade sem prefeitos.

Tu me alegrastes em minha meninice,
Mas hoje tu és triste,
E cansado.

Ô meu Morro, de Pernambunco!
Meu menino!
Ô meu refúgio, meu verdinho!
Tu és lindo!

Fale pra essa gente dos seus sentimentos,
Canto esse pranto que é pra poder ouvir:
- Quem é que vai poder chorar por ti?

Ô minhas marolas,
Meu oceano,
Brisa leve de fazer poesia

Ô meu céu azul,
Oh meus pássaros,
O canto das pedras que o sol esquenta aqui!

A Pedra de Ilhéus,
Em Ilhéus cheia de pedras, também canta,
Mentes de selva, arames farpados

E mesmo com toda a lama,
Eu ouvi o seu chamado, meu acalanto,
Que chora sem dar um pio!

Mas as garças cruzam o firmamento
A noite sobe toda estrelada de graças:
E quando os primeiros raios de aurora sair,

Tu serás feliz, eu te verei sorrir!

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