Ô meu Morro, de Pernambuco!
Meu menino!
Ô meu refúgio, meu verdinho!
Tu és lindo!
Fale pra sua moça dos seus devaneios
És mui belo e formoso, e arco feito:
- São esses mistérios, teus coqueiros!
Tu me acompanhastes em minha mocidade,
Mas sabes que do arco, a dor,
Nesta cidade sem prefeitos.
Tu me alegrastes em minha meninice,
Mas hoje tu és triste,
E cansado.
Ô meu Morro, de Pernambunco!
Meu menino!
Ô meu refúgio, meu verdinho!
Tu és lindo!
Fale pra essa gente dos seus sentimentos,
Canto esse pranto que é pra poder ouvir:
- Quem é que vai poder chorar por ti?
Ô minhas marolas,
Meu oceano,
Brisa leve de fazer poesia
Ô meu céu azul,
Oh meus pássaros,
O canto das pedras que o sol esquenta aqui!
A Pedra de Ilhéus,
Em Ilhéus cheia de pedras, também canta,
Mentes de selva, arames farpados
E mesmo com toda a lama,
Eu ouvi o seu chamado, meu acalanto,
Que chora sem dar um pio!
Mas as garças cruzam o firmamento
A noite sobe toda estrelada de graças:
E quando os primeiros raios de aurora sair,
Tu serás feliz, eu te verei sorrir!
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