Para escrever à você...
Eu te conheço muito pouco,
Mas um pouco eu pude conhecer...
Mesmo que não me tenha dito isso,
Eu vou te dizer,
Que não me julgue recatada,
Por não deixar envolver...
É porque agora sou calada,
Antes preciso escutar você.
E sentir, o que tem aí, dentro.

O que queres assim, certo,
À 152km/h?
O que é o tempo?
Se não podemos apreender?
E sentir o tempo,
Passando dentro de você?
Queremos sempre mais,
Acelera, o tempo, assim, jaz,
Barulho, motor, estou pisando demais...
Vou indo longe demais...
Nessa estrada da vida.
O ser veloz, quer ser veloz...
Que não se reduz, nem é algoz,
Mas sempre veloz...
À que luz?
Da velocidade da luz?
Eu bem poderia dizer,
"Rompi a barreira do som",
Mas antes vim aqui perto,
Pra ouvir seu silêncio...
O bom, um "tum", um tom, a palpitar.
Tempo, espaço, velocidade, dimensão...
Onde reside a razão?
Terra, Atmosfera, Sol, Luz...
Onde reside a escuridão?
Eu te faço essa oração,
Para que antes do sono,
Você possa escutar você,
E ver que nenhum barulho é tonto,
Que não possa ensurdecer,
E que só você fica surdo se querer!
O filósofo Platão,
Foi autor de um mito...
Era uma caverna escura,

Donde pessoas, presas e duras,
De algemas e loucuras,
Não saiam para ver...
Eram apenas sombras,
Que se refletiam numa parede,
Pela chama da fogueira se projetava a imagem,
Tão presa aos olhos de quem olhava,
E tão segura aos olhos de quem acreditava,
Na sombra, a sua imagem, refletida.
Um belo dia,
Não tão quanto igual aos outros,
Algum broto deu um repente,
Arrebentou as correntes
E foi além da fogueira acesa.
Chegou do lado de fora da caverna,
E viu, que a vida é bela,
Com suas cores abundantes,
Sem a sombra refletida,
Sem parede, nem nuance.
Apenas a luz esplêndida ele sentia...
O broto, foi avisar aos outros,
Que o que eles viam, não existia...

"Lá fora é mais bonito o dia",
Mas ninguém lhe ouvia,
Porque acostumados com o reflexo,
Era o que todos eles viviam...
Acusaram o broto de louco,
E mataram-o, à custa das próprias sombras refletidas,
E tão acostumada para eles, isso era a vida.
Reflexo, projetado de sombra.
Eu te contei essa história,
Quando me disseste da oração...
O pesadelo é constante,
Mas a calmaria não é não,
E são poucos os de calmaria...
Pois, enquanto há chão pra se pisar,
E dias para se virar,
O embate cotidiano ainda não acabou...
Mas a oração é proteção,
É poder, força, libertação.
Se dói, e há pesadelos,
É porque ainda estamos presos...
E tem gente que te quer preso e amigo,
Perto, cego e no tino...
Esse é o "normal",
Em ritmo de desatino.
Cuidado...
A mão que te acaricia,
Como você mesmo viu,
É a mesma que te sufoca...
Se o agricultor não cuida da horta,
Não terá folhas novas...
E as ervas daninhas se alastrarão...
A raiz é o coração.

O agricultor é você,
A horta ou a plantação, é o ser,
E a oração é a chuva que cai para molhar,
É o Sol que nasce para energizar,
É a terra que se prepara para germinar,
É o agricultor que escolhe o amor,
As folhas novas é o florecer...
Somos como árvores,
E vamos regando à nós mesmos...
O Sol nasce para todos,
Mas o livre-arbítrio pode escolher...
Correntes ou luz?
Sombras ou vida?
Reflexo ou Ser?
Ilusão para crer ou visão para ver?
Se quando ora, tem pesadelo,
É sinal...Ore mais, e não se canse,
Alguém pode escutar você.




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