segunda-feira, 19 de abril de 2010

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Há um tempo em que a sede é dura



E em toda respiração
Eu ainda sinto uma secura

É a voz que não se cansa de cantar, das entranhas
Movida provocadamente por interferências escuras
Des-confiança, pecado, iniqüidade, insolentemente...
A mulher rasga os ferrolhos, com os dentes
Vê que os dias se passam e também as noites
E resiste com o peito entregue, chãos novos para o sapato, velho, pisar
De dedos ressequidos, por tanto lutar
De fora da prisão,
Vive o dia de cada parto
Parte em alto, sem temer dor, surpresa, frieza, sangue...
Uma filha, e moça como todas, ela não é
O Pai jurou-lhe amor eterno
E ela acatou assim
Como cada um carrega sua cruz, tem a vida que lhe escolheu
Vive a hora da vida, silenciosamente no barulho, dos outros, do mundo, no seu
Neste dia, um céu de abril que se abriu no estio outono
Coloca pra fora o sofrimento com pesar
A mordaça, o calar, e o que sobra dessa mulher
Árdua tortura lhe chega acalentar
Como a ilusão aí está, não se preocupe.
Com retidão pode até estar ao chão,

Mas ela não demora a tardar.



O vento secou a lagrima, e a pele ressequida, de outras vidas.
Não se acostumou com lenço, muito sensível, pra quem muito levou, 
E ainda leva.



No Céu de abril, que se abriu no estio outono 2010

Um comentário:

Anônimo disse...

nossa.