domingo, 18 de abril de 2010

Pelo ralo

Capa rígida,
Cerviz de ferro
Anda calçada,
Por vezes, desatento
Mas o passo é reto,
Rumos para o rumo...
Ruma ao longe o feito
Não depende da vontade,
Pro acerto, mesmo sem medo,
É preso e indubitável,
O sujeito limitado,
Tem asas,
Vôa, e depois ecoa,
O grito, e um calado...
A cédula, amordaça,
E a mordaça, calha,
Só malha, com desdém.
Numa cadeia de ferro,
Anastácia,
Trancada,
Não pode voar.
O teto cai.
A cabeça?
Ereta,
Em reverêcia,
Cabisbaixa, mas reta,
Se põe a humilhar,
Seu senhorio, maestro abandonar.
E a cabeça?
A cabeça, sente.
É digna, tem honra,
Leveza,
E sabe esperar.
Acertar o passo,
E a lágrima a escoar, pelo ralo. 

2 comentários:

Anike Lamoso disse...

A P[L]oucos é dedicado o delírio das palavras..

Bela poesia!

Anônimo disse...

"É preso e indubitável,
O sujeito limitado,
Tem asas,
Vôa, e depois ecoa,
O grito, e um calado..."
isso. é. incrível.