segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Jornal Impresso: Um confronto do passado e presente

O colonialismo ainda reflete hoje os resquícios do passado. Não seria diferente, pois, se as marcas da imprensa colonialista não perdurassem no jornalismo impresso brasileiro do século XX e XXI.
“EXCLUSIVO: A ALUNA MAIS BONITA DO BRASIL”. Esse era o tipo de manchete característico das revistas nos anos 60, não muito diferente dos jornais da mesma época. Ou: “MISS BRASIL: A NOVA MARTA NA MEDIDA CERTA”, ou ainda “O BRASIL RECEBE A RAINHA”.
Menos do que um jornalismo propriamente dito, a imprensa colonial no Brasil que se iniciou após a chegada da família Real no país, correspondia a um tipo de conteúdo vazio, fútil, retrofigurado por colagens artesanais.
As chamadas informações sociais - aniversários, casamentos, festas, velórios – representavam os valores sociais e morais burgueses da época. Intimamente elitista, a imprensa colonial nada mais fazia do que ser um diário do Estado, e contribuir com a ordem vigente. Ela simplesmente alimentava o ego de quem a financiava. O conteúdo resumia-se a um discurso institucional de linguagem doutrinária.
Era comum a exibição de luxos da sociedade, autopromoção de pessoas e propagandas políticas. Os jornalistas eram mais “puxa-sacos” do que jornalistas. Até porque quem publicava inicialmente as informações eram os literatos, que produziam um “jornalismo literário”. A presença marcante dos romances, novelas e folhetins, mesclava à linguagem também um caráter subjetivo.
Os jornais possuíam artigos de fundo - textos opinativos com palavras e expressões difíceis - com conteúdo pouco consistente, muito longe de construir no leitor uma opinião, um senso crítico da realidade brasileira. Para agravar a situação, nada podia ser impresso contra religião, governo ou bons costumes. Quaisquer conteúdos passavam pela censura, no qual era filtrado antes de ser veiculado.
Todos comiam no mesmo prato e bebiam no mesmo copo. Celebremos o estado do supérfluo!
Felizmente, o jornal impresso tomou novos rumos. O avanço chegou, a profissionalização se intensificou e o jornalismo passou a ser uma profissão de verdade. A sistematização da linguagem, tendo a objetividade como foco, é uma das diferenças mais gritantes entre a imprensa colonial e o jornal impresso atual. Sem contar com a diferença de diagramação, que hoje conta com recursos da tecnologia eletrônica.
A seriedade que é levada à risca, sustenta o atual jornalismo impresso numa posição sublime. Isso se deve ao caráter verossímil, universal, periódico e atual que compõe.
A publicidade é o grande marco no jornal como um bem de consumo, atribuindo à este um caráter de um produto do sistema capitalista. Além disso, o jornal não se restringe a um público de elite, está disponível a todas as classes que quiserem ter acesso.
Não se pode negligenciar, sem dúvidas, o papel do jornalista. Ele deixou de ser simples e apenas relator dos caprichos do Império, para ser o guardião da democracia – pelo menos assim diria Nelson Traquina. Denunciar contra os abusos de poder, buscar da verdade e apurar os fatos, construir aspectos da realidade por um instrumento poderoso chamado notícia, trazem para o jornalismo uma nova roupagem. Uma roupagem de autonomia, respeito, aventura. Sim, aventura. Porque todos os dias uma nova jornada se inicia, onde tudo pode acontecer, e o exercício da profissão se renova a cada novo fato que venha a sucumbir, e adrenalina do imprevisível torna a profissão excitante.
As notícias, seu modo de produção, o enquadramento e a seleção dos fatos, lidam de modo totalmente diferente no jornal impresso atual. São pertinentes e de interesse público. Salientam as necessidades de uma nação, e cumprem o papel de informar a sociedade.
Não se pode negar, entretanto, que tanto a imprensa colonial, como o jornal impresso atual, são jornais por natureza. Com contextos diferentes, mas que como todos os jornais, defendem uma posição política implicitamente ou não, têm suas tendências e sensacionalismos. Estão um e outro, de uma forma ou de outra, submetidos à política e seus incômodos interesses, dependentes de um financiador – no colonialismo ao próprio império, na atualidade aos anunciantes.
Enfim, as diferenças são necessárias, ainda mais quando se trata de avanços. O que não se pode deixar é de se fazer jornalismo. Não de qualquer jeito, não. Jornalismo na essência da palavra se é que você me entende.

maio/2007

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