Enfiei meus pés pés no asfalto cor carvão
Sentindo como a sujeira aos poucos
Acalmava os meus pés, agora sujos
Conectei-os a cada passo da solidão
Aquela que me leva para casa
E faz ajuizar as loucuras mais ásperas
Liguei meu som para ouvir Caetano
Sabendo que mãe não escuta mais isso
Que "os livros são objetos trascendentes"
Sentei despida na cadeira para escrever
É que é pra ver se a poesia flui melhor
Desatam-se os nós acumulados da vida
Reli a carta que fiz para meu pai
Sabendo que pai nunca ligou para isso
De "sinto sua falta meu caro"
Olho agora para os lados de mim mesma
Curvando-me lentamente para ver se sou a mesma
Sentindo lentamente os segundos de existir.
06/12/2007
Nenhum comentário:
Postar um comentário