Não quero convencer ninguém de nada, e não quero que me convençam de nada, absolutamente. Não estou aqui pra provar nada pra ninguém, nem quero que ninguém me prove nada. Minha única prova é a vida, que se mostra com sua face limpa e nítida, e me prova em suas linhas estreitas e curvilíneas.
Não gosto de meias palavras, já disse que não gosto de fazer sala, e não costumo comer pelas beiradas. Se, por ventura tivesse o direito de fazer algum pedido e ser atendido, aqui nesta vida, o que peço é que mostrem suas faces escondidas, que insistentemente se transvertem de cordeiro. Odeio hipocrisia, palavras ditas inocentes que são ludibriosas, fingindo serem dóceis, que saem de sua boca cheia de blasfêmia, nessa sua face fria, que esconde a sombra que voss’alma trabalha.
Por isso, meus caros, permaneço no meu caminho, que só eu posso seguir, orientando meus nortes, fazendo verdadeiramente minhas escolhas, porque ao contrário do que possas pensar, sou autor da minha existência, vivo consciente de minha condição, e só me deixo acontecer pela vida, quando julgo necessário.
Em meu coração habita o amor, em minha fé a esperança e em meu caminhar passos largos e lentos. Largos para viver a vida de modo crescente, e poder vislumbrar a conquista de sonhos reais. Sim, eu sonho e realizo, porque se sonhar é sinônimo de impossível, porque o sol, que é um sonho, nasce todo dia?
E são passos lentos, pra poder viver cada momento da vida sem necessariamente passar por ela desapercebida, e no final ter a sensação que não aproveitei nada. Por isso meu andar é lento, para assegurar-me que cada nova direção que traço é uma escolha, e não um acaso.
E, com sua face limpa e nítida, essa vida que não processa e não gosta de mentiras, não pode se acontecer quando por ventura, cousas de outras ruas, como pessoas que andam nuas sem porvir se ousam na minha vida interferir. Digo-lhes, permaneçam em suas rodas, peçam suas esmolas, e continuem a dançar... Mas não se intrometam em meu caminhar, que já de muito antes deveria estar suave com seus passos leves, mas que embora tardios, ainda me servem, bem longe do luar. Porque nasci de dia, como que numa romaria de Sol se alimentar.
Não me venham com seus discursos ridículos, seus apontos infames... Não cabeis nem dentro do buraco d’onde vieram, então por favor, menos. Não considero seus conceitos... Ainda que queiram acreditar ou convecer-me, não somos iguais, nem do mesmo mundo, como dissestes... A distância é muito grande, vós sois ímpios, eu não.
Podem espernear, falem o que quiser, entendam como quiser. Porque embora não tenham caído as máscaras vidas à fora, enxergo suas faces nuas e cruas, tristes de voss’almas sombrias cheias de dor, que não me alcançam nem de noite, muito menos de dia. Porque? Já encontrei um lar, dentro de mim, o amor.
Sou um passarinho, que alça seus vôos longínquos, para outros céus, longe dos seus chãos aparelhados a serem de serpentes rastejantes, que não te cobram ser existentes, que é o que realmente são.
Que a carapuça sirva a quem sentir!
FIM
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