Abro a janela para entrar o silêncio da rua
Eu não quero sair e ver as suas
As suas paredes de concreto,
Altas, compridas e feias
Cortando minh’alegria de mar,
Que eu avistava antes daqui
Eu tenho que ir embora para longe
Em nenhum lugar,
Que ninguém me ache
Nem nada me perturbe
Para eu poder respirar e ouvir essa força que sai de mim,
Chamada ar
Nesse lugar que não existe
Que na minha cabeça resiste existir
Não quero, Elis, uma casa no campo
Só preciso de uma sombra fresca,
Debaixo de uma copa de árvore
Em total contato com a natureza
Para que o amor em mim derrame
E eu possa viver sem chatices e incômodos
Meu vizinho está gritando
Batendo no seu filho mais novo
O moleque está chorando,
Lágrimas que não se compram
Sem saber o porque
Uma casa de sapê também não serve
Poderia ser de pedra,
Para proteger das feras,
Que por aí se escondem
Algum lugar no planeta me convide a entrar.
Obrigada,
Anna Karenina Vieira
25/02/2009
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