domingo, 5 de outubro de 2008

Desabafo de uma Marionete


Acho que não vou ser mãe de família

Não sei porque me ensinaram isso

Talvez não tenha um conjugue, e ainda rico

E não farei sala para visitas chatas


Porque eu sou um resultado?

Então meu produto veio deformado

Deve ser devolvido ou refabricado

É que o rótulo veio sem barras


Que mania essas pessoas!

De projetarem seus próprios medos

Refletidos na idiotia

Que se exibem seus modelos!


Estou ficando longe demais

Com até receio de retornar pra cá

Cada vez mais diferente

Alma, corpo, olhos e mente


Logo esses meus olhos!

Que viam tudo tão igual

Tudo de fora pra dentro

E agora, tudo de dentro pra fora


Por favor, alguém que não ache um absurdo

Venha aqui me confortar

Porque eu já estou longe demais

Demais pra isso daqui


Por favor, alguma forma normal de ser assim

Venha aqui pra eu aderir

Porque eu já estou longe demais

Demais pra isso daqui


Eu não sei de mais nada

Não tenho agora planos fantásticos

Às vezes só sonhos me tomam os passos

Mas não sei mais o que quero


Quero tudo e quero nada

Posso? Eu posso querer ser nada

E posso não querer ser tudo,

Tudo o que as pessoas esperam de outras


Que mania essas pessoas!

De quererem ser espelhos

Refletidos na normalia

Que residem seus preceitos!


Que pórre!

Se deixem em paz

Cada um como quiser,

A vida não tem fórmulas para ser.

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