terça-feira, 5 de agosto de 2008

Ego Ísmo

Não estou mais pra ninguém
Digam que fui pra longe
Um lugar inalcançável, distante, inconstante
Só estou pra mim
Hoje sou um ser egoísta
Na realidade, nunca gostei tanto do egoísmo
Condição tão julgada
Mas tão necessária algumas vezes
Agora não tô pra ninguém
Para nenhum valor que disserem que é bom
Nada vai me convencer de nada
Até porque nada é nada
E ninguém é ninguém
E eu sou eu, um ser existente apenas
O amor ficou pra depois
Essa história de bondade...
Tá meio ôca!
Os homens falam tanto
Mas falta tanto
Tanto para se chegar em algum lugar
Estou me oxidando
O tempo está me gastando
O vento me esfarelando
E as pessoas? Torrando a paciência...
O que é a vida senão uma mecânica?
Vamos racionalizar as coisas?
Mecanizada produção...
Técnicas de repetição...
As máquinas moleculares,
Podem enfim enferrujar!
E eu? Enferrujei cedo!
O que fazer com tantos ideais?
Acreditar na minha força criadora?
Nietzsche já morreu...
E os homens o continuam lendo
A válvula ilusória das possibilidades...
Até que pode dar certo às vezes!
Preciso de outro filósofo...
Porque os passados não convenceram,
Os poetas românticos são boêmios
Boêmios da própria derrota
Suplico agora a solidariedade da vida
Mostra-me sua sabedoria para uma egoísta
Que não se convenceu com tudo isso
E não quer gostar de nada disso!

04/08/2008

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